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Aumento da taxa básica de juros tira a atratividade das debêntures

Mudança na curva de juros futuros afeta a demanda por este tipo de investimento; parte do mercado crê que Selic possa superar marca de 10%

CYNTHIA DECLOEDT, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2013 | 03h09

Uma queda de braço está sendo travada entre investidores e emissores nas colocações recentes de debêntures. Muitos gestores consideram que os prêmios oferecidos pelos emissores nas séries em CDI não têm sido atraentes o suficiente para compensar o risco quando se compara à remuneração oferecida pelos títulos do governo. Essa "disputa" não tem inviabilizado operações e a demanda nas ofertas feitas até o momento, mesmo que menos agressivas do que antes, é vista como saudável por profissionais do mercado.

"No primeiro semestre, os emissores estavam com a faca e o queijo na mão, mas agora, esse jogo mudou", comentou uma fonte. O motivo de tal mudança foi a abertura dos spreads na curva futura de juro a partir de meados de julho, com a piora da economia brasileira e a inversão no fluxo positivo aos emergentes. Mais recentemente, o Banco Central sinalizou que a Selic poderá chegar aos dois dígitos ao final do ano.

No primeiro semestre, o quadro era totalmente oposto e os prêmios oferecidos pelas debêntures os menores historicamente. Portanto, as empresas estavam acostumadas a ditar o jogo e para muitos bancos de investimento não têm sido fácil convencer executivos de que os custos das captações são agora mais elevados.

Um executivo da área de investimento em renda fixa de uma seguradora brasileira que não quis se identificar disse que os prêmios estão apertados e são insuficientes para remunerar o risco do crédito privado, especialmente porque trabalha com um cenário de desaceleração econômica nos próximos meses. "Temos expectativa de desaceleração mais forte da economia e os prêmios mostrados não são suficientes, especialmente com a possibilidade de termos os recursos remunerados à taxa Selic de 10%, sem risco", disse.

Informalmente comenta-se que duas grandes gestoras de investimentos dos bancos, com 40% do mercado, têm se ausentado dos processos de coleta de intenção de compra em operações com séries somente com base em CDI, por conta dos "baixos" spreads. Uma fonte contou que esse foi o motivo do exercício da garantia firme de uma parte da emissão de R$ 450 milhões da Dasa pelos bancos coordenadores.

Mas profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, consideram que, mesmo assim, os níveis nos quais têm sido feitos as últimas emissões de debêntures devem ser mantidos até o final do ano, influenciados por um excesso de dinheiro que ficará disponível por causa de picos de vencimentos de debêntures e pagamentos de juro nos próximos seis meses.

Prêmios. A Vale, por exemplo, tem vencimento de R$ 4 bilhões em debêntures em novembro que não serão renovados, segundo fontes do mercado. A busca de novo destino para esse excedente de dinheiro já começou e, de acordo com alguns profissionais, é responsável pela compressão dos prêmios de algumas colocações.

De qualquer modo, mesmo com o mercado movido por tal liquidez, as propostas de compra nos livros de subscrição das debêntures não chegam a quatro ou cinco vezes a oferta como acontecia frequentemente no primeiro semestre. A resposta é cautela. "Normalmente o mercado fecha rápido, como aconteceu a partir de meados de julho, mas a retomada é lenta", disse Aguinaldo Barbieri, gerente executivo da Diretoria de Mercado de Capitais e Investimentos do Banco do Brasil. "Hoje o investidor tem apetite, mas está cauteloso, por isso a demanda tem sido menor, pois ele entra nas operações com tíquetes menores." Barbieri acredita que as taxas já estão dadas e que a tendência é diminuição dos spreads, desde que haja continuidade de um cenário de queda de inflação, estabilidade relativa do câmbio e ausência de surpresas no exterior, como o banco espera.

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