Aumento da taxa de juros é bom para mercado, diz Fritsch

O analista de mercado, Winston Fritsch, disse que o aumento da taxa básica de juros já era esperado pelo mercado há pelo menos dois meses e "já estava no preço", pelo fato de a inflação permanecer bem acima da meta de 2005."Para o mercado de ativos, uma decisão que já era esperada é boa porque não causa grandes perturbações", afirmou durante entrevista ao Jornal das Dez, da Globonews."É um remédio que pode ser ligeiramente desapontador a curto prazo, mas que pavimenta o caminho para uma retomada sem sustos", disse.Aumentos adicionaisDe acordo com o economista, as decisões de investimento não serão muito afetadas pelas variações de taxa básica de juros, porque ela não afeta imediatamente os juros de longo prazo.Para ele, o aumento de taxa tem o impacto mais no sentido de sinalizar que o BC tem o compromisso de evitar o surto inflacionário que ocorreu na virada de 2002 para 2003. "Implicitamente, existe um compromisso do consenso do Copom para não brincar com a aceleração do cerne da inflação."Queda de jurosFritsch disse que a recuperação da economia veio para ficar, baseado no ajuste fiscal e externo feito em 99/2000, ressalvando a necessidade de se criar condições para o financiamento em reais dos investimentos em infraestrutura. "O governo atual seguiu políticas extremamente construtivas para manter esse ajuste no lugar", lembrou Fritsch, que já foi secretário de Política Econômica no governo Fernando Henrique. "Permite que, salvo choques exógenos sobre a inflação, o juro vá caindo no longo prazo."Mercado de capitais tupiniquimO ex-secretário frisou que é fundamental desenvolver um mercado de capitais brasileiro que permitiria financiar o esforço de crescimento. Para Fritsch, o gargalo do crescimento brasileiro é o custo do capital de longo prazo. "Quando o governo está fazendo as contas direito e deixando de ser o sugador de poupança nacional, o mercado pode utilizar as poupanças do setor privado para financiar os investimentos em reais, sem ficar dependendo do investimento estrangeiro."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.