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Aumento das exportações não reflete valor atual do câmbio, diz economista

O aumento das exportações e a substituição de importações na indústria ainda não refletem o aumento do dólar ocorrido neste segundo semestre, na opinião do coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy. "Acho que esse fenômeno não é efeito desse câmbio recente a R$ 3,80, mas da desvalorização de 20% da taxa real de câmbio em 2001 e talvez da desvalorização ocorrida no fim do primeiro semestre", disse Levy em entrevista à Agência Estado.Para ele, esse movimento da indústria ligado ao setor externo, que tem garantido algum crescimento do setor este ano, não será rapidamente revertido se o dólar cair. Ele argumenta que o processo de comercialização e aumento da fabricação na indústria demoram e as decisões tanto do comprador quanto do exportador não se dão com base nas variações de curto prazo do dólar. "Essas coisas levam um tempo. Não se troca de fornecedor rapidamente", diz.CarambaLevy destaca que o Brasil está fazendo um grande ajuste nas contas externas. A projeção do Ipea é que o déficit em conta corrente com o exterior (que inclui transações comerciais, de serviços e transferências unilaterais) diminua 2,6 pontos porcentuais do PIB este ano em relação ao fim do ano passado, quando estava em 4,6% do PIB, e no fim de 2003 caia para 1,5% do PIB. "Um ajuste desses, de três pontos do PIB é coisa para caramba, é mais do que foi feito em 1982 e 1983, é um sinal de que o Brasil pode se financiar e isso trará de volta o financiamento externo", diz.Para ele, "o duro é transitar para esses níveis reduzidos de déficit em conta corrente, mas uma vez lá, o superávit comercial não tem que ser crescente o tempo todo". Levy avalia que o forte ajuste nas contas externas está sendo feito sem recessão.PTO economista do Ipea, um órgão do Ministério do Planejamento, acredita que, para fazer frente às expectativas do eleitorado e garantir a estabilidade macroeconômica, o PT terá que mostrar que é capaz de direcionar o gasto melhor que os governos anteriores. "Isso dependerá basicamente de eliminar desperdícios e gastos que não beneficiem diretamente os mais pobres", diz.Ele considera que a reforma tributária continuará sendo feita em "um processo gradual de redução da cumulatividade de tributos porque as questões envolvidas são complexas". Ele afirma que "tem que se achar uma alíquota sobre valor agregado para todos, então, alguns vão ter aumento de impostos e é muito complicado isso".De acordo com Levy, uma alíquota única sobre valor agregado fatalmente aumentaria a carga tributária do setor de serviços.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2002 | 16h38

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