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E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

Aumento de dose

O ex-ministro Delfim Netto vai ter agora de encomendar uma missa ecumênica. Foi o que ele prometeu publicamente caso o Banco Central (BC) tesourasse os juros básicos em 1,5 ponto porcentual, o que ontem aconteceu.É verdade que, nas últimas semanas, cresceu o cordão dos analistas que apostavam em cortes de até 2 pontos porcentuais. Mas o BC não é de tacadas assim.Essa dose do corte, de 1,5 ponto, já reflete uma inusitada agressividade da autoridade monetária, o que não deixa de ser surpreendente para quem acompanha a posição, sempre tão conservadora, da atual direção. Surpreendeu até mesmo Delfim, experiente operador e observador da política econômica brasileira.O BC foi surpreendente porque também a violência da crise atropelou as previsões dos seus diretores, que vinham fazendo dueto com o presidente Lula no samba da marolinha. Se não tivesse sido surpreendido, o BC teria se dado ao trabalho de administrar as expectativas dos agentes econômicos de maneira a que contassem previamente com o corte mais drástico.O conteúdo do comunicado divulgado logo após a reunião parece passar a mensagem de que o tratamento de choque monetário (ou quase isso) ontem adotado se justifica porque a crise desembarcou no País mais braba do que o esperado, fator que deverá segurar o consumo interno e, assim, atrofiar no ovo a inflação que poderia tomar corpo.Mas o que mais importa agora é olhar para a frente. Esta é uma questão que ficou especialmente importante por duas razões. Primeira, porque esta diretoria do BC não é de trabalhar aos solavancos. Sempre preferiu seguir mais devagar para poder ir mais longe. Significaria isso que está disposta a manter cortes de 1,5 ponto porcentual por vez, em mais uma ou duas reuniões do Copom? Aparentemente, não.Em segundo lugar, não está tão claro que a inflação esteja sendo empurrada para dentro da meta, como parece indicar a atual curva de juros do mercado.Tal como aferido pelo levantamento semanal do BC (Pesquisa Focus), o mercado espera para este ano uma inflação de 4,57%, ainda acima da meta. Além disso, os números do IPCA de fevereiro ontem divulgados pelo IBGE mostram que o avanço do custo de vida continua desproporcionalmente elevado: de 0,55% no mês e de 5,90% em 12 meses. Essas considerações sugerem que o contra-ataque à alta de preços teria de ser retomado.O comunicado do Copom deixa claro que o impacto da crise global sobre a economia brasileira está sendo muito maior do que o anteriormente calculado pelo próprio BC.Pode-se deduzir que o estancamento do crédito externo a partir da quebra do Lehman Brothers, em setembro (e isso não ficou explícito no comunicado), prejudicou o crédito interno, um dos conduítes da política de juros do BC. Assim, deve ter ficado mais importante reforçar a oferta de moeda na economia de modo a compensar a perda de eficácia da política de juros.O próprio BC deixou claro que não se deve esperar por novos cortes automáticos dos juros básicos nas proporções ontem determinadas. O que vier depende do comportamento futuro da economia e do efeito da expansão monetária iniciada em janeiro.O lado bom - A inflação de fevereiro (0,55%) foi maior do que a de janeiro (0,48%), mas foi empurrada por um vilão sazonal (custo do ensino, que subiu 5,13%). Esse vilão não contribuirá para a alta dos preços nos próximos meses.

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