Aumento de estoques na indústria dá sinal de alerta, diz CNI

Isso porque as expectativas de venda não se concretizaram, possivelmente em função da alta dos preços

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

31 de julho de 2008 | 12h52

O resultado da Sondagem Industrial relativa ao segundo trimestre de 2008, divulgada nesta sexta-feira, 31, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que as grandes empresas voltaram a registrar estoques acima do planejado. Segundo o chefe da Unidade de Pesquisa da CNI, economista Renato da Fonseca, este é o primeiro sinal de alerta, porque significa que as expectativas de venda não se concretizaram. "Isso já pode traduzir um processo de arrefecimento no crescimento da economia, o que pode fazer as empresas reduzirem a produção para voltarem aos estoques desejados", avaliou Fonseca.     Veja também: BC teme efeito de inflação sobre o crescimento do PIB Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  De olho na inflação, preço por preço Veja o comportamento da taxa Selic no governo Lula Mesmo com dados positivos, economia ainda dá sinais de alerta O economista da CNI disse acreditar que o crescimento dos estoques pode ser reflexo do aumento da inflação. Segundo ele, as indústrias podem não estar conseguindo repassar para os preços o aumento do preço da matéria-prima. As grandes empresas tinham conseguido ajustar seus estoques no final de 2007 e eles apresentaram uma elevação no segundo trimestre de 2008. Renato da Fonseca disse que o movimento de elevação dos estoques ainda é tímido, e, por isso, é cedo para prever se será mantido.A Sondagem Industrial revela ainda que o alto custo da matéria-prima ganhou importância entre os principais problemas enfrentados pela indústria. Esse item já é o terceiro maior problema enfrentado pela indústria. No caso das pequenas e médias empresas, o preço da matéria-prima fica atrás da alta carga tributária e da competição acirrada de mercado. No caso das grandes empresas, os dois maiores problemas são a carga tributária e a taxa de câmbio.A pesquisa da CNI destaca que o setor industrial tem tido mais dificuldades de acesso ao crédito. Fonseca comentou que a sondagem divulgada hoje é a primeira após o início do aperto da política monetária, mas ainda não capta os efeitos da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), que aumentou a taxa básica (Selic) de juros em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano. "Pode estar havendo uma contração da liquidez por causa do aperto da política monetária", disse Renato da Fonseca.Mercado interno e externoA Sondagem Industrial mostra que os empresários industriais ainda estão otimistas com o mercado doméstico e continuam pessimistas em relação ao comércio internacional. O resultado da pesquisa da CNI indica que os industriais ainda esperam queda nas exportações nos próximos seis meses.Segundo Fonseca, a taxa de câmbio explica a deterioração das expectativas, porque elimina a competitividade de alguns setores em relação aos produtores estrangeiros. A sondagem mostra que os setores que esperam queda nas vendas externas são: têxteis, vestuário, couros, calçados, madeira, móveis e veículos automotores.O setor industrial espera também continuar ampliando a oferta de empregos nos próximos seis meses e as compras de matérias-primas. A sondagem industrial ouviu 1.488 empresas, no período de 26 de junho a 30 de junho de 2008.

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