Aumento de gastos eleva relação entre dívida e PIB, que chega a 42,5% em maio

A política anticíclica do governo fez o principal índice usado para avaliar a sustentabilidade das finanças do País retroceder 14 meses. Em maio, a proporção entre a dívida líquida do setor público e o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) subiu 0,9 ponto porcentual na comparação com abril, chegando a 42,5%, no nível mais alto desde março do ano passado. Mesmo com a esperada melhora da economia para os próximos meses, a ação anticíclica contra a crise vai se sobrepor e fará com que o indicador piore em 2009, interrompendo o processo de queda consecutiva iniciado há seis anos. A ação mais forte do Estado na economia é cada vez mais visível. Com o aumento dos gastos provocado por investimentos e despesas correntes e a diminuição da arrecadação por desonerações e queda da atividade, tem sobrado menos dinheiro no caixa do governo para pagar a dívida. Tal quadro inverteu a trajetória da relação entre a dívida e o PIB: em maio, o indicador piorou pelo sexto mês consecutivo. No fim do mês passado, a dívida líquida do setor público - que inclui o governo federal, Banco Central, Estados, municípios e estatais, com exceção da Petrobrás - somava R$ 1,24 trilhão. A previsão oficial do BC é que a dívida líquida do setor público caia até dezembro para 41,4% do PIB. Apesar desse recuo, o nível esperado será 2,6 pontos maior que o do fim de 2008. Será a primeira vez desde 2003 que o índice sobe de um ano para o outro. A projeção já leva em conta a exclusão da Petrobrás das contas públicas. "Teremos uma elevação do indicador em 2009, mas o importante é que haverá redução do índice em 2010. O que mais conta é a dinâmica da trajetória, e não o patamar", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Ele, porém, não fez nenhuma previsão sobre qual será o nível do índice no fim do próximo ano. No Relatório de Inflação divulgado na semana passada, a estimativa do BC para a relação dívida/PIB em 2010 era de 39,2%. A estimativa foi traçada conforme o cenário projetado pelo mercado financeiro para a economia no próximo ano.

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