Aumento do álcool na gasolina não afeta motores

O Ministério da Agricultura poderá anunciar o aumento de 20% para 24% de álcool anidro na gasolina a partir de maio. O porcentual de álcool anidro misturado à gasolina, que passou a 20% em agosto de 2000, volta a ser de 24% para o escoamento da safra de cana-de-açúcar. Especialistas em combustíveis da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) avaliam que a medida não afetará o desempenho dos veículos brasileiros.O presidente da comissão de energia, combustíveis e ambiente da Anfavea, Henry Joseph Júnior, explica que os veículos fabricados no Brasil têm seus motores calibrados para funcionar com uma solução de combustível contendo álcool anidro variando de 20% a 26%. ?Se a mistura do álcool ultrapassar os 26%, o carro pode apresentar problemas de desempenho, aceleração e até de defeito de peças a longo prazo?, afirma.Henry, que também é gerente do laboratório físico-químico da Volkswagen no Brasil, explica que se a mistura do álcool na gasolina ultrapassar os 26%, o combustível é considerado ?pobre?. ?O combustível ?pobre? aumenta as chances de problemas de corrosão de componentes nos veículos?, alerta. O executivo da Anfavea esclarece que os problemas são mais ou menos graves de acordo com o tempo de uso, a marca e o grau de manutenção do veículo.Aumento de consumoO engenheiro do divisão de mecânica e eletricidade laboratório de motores do IPT, Franscisco Nigro, avaliou que a elevação do teor de álcool na gasolina pode acarretar um pequeno aumento no consumo de combustível. Porém, ele disse que a mistura de 24% não prejudica os motores dos veículos. ?Alguns veículos podem apresentar aumento de consumo, pois o álcool possui um poder calorífico maior, requerendo mais energia do motor, o que é normal?, explica.Nigro alertou que a elevação excessiva do conteúdo de álcool pode acarretar problemas, como perda de potência na aceleração, falhas no motor, aumento de consumo e problemas empeças como velas e válvulas. ?Nos veículos mais antigos, os problemas podem aparecer mais cedo?, alerta. PoluiçãoO executivo da Anfavea e o engenheiro do IPT também concordam que o aumento da mistura do álcool na gasolina não compromete o nível de poluição que os veículos podem causar ao meio ambiente. Henry explica que os veículos estão regulados para receber a porcentagem de 24% sem que isso signifique uma maior produção de elementos poluentes do ar, como o monóxido de carbono.

Agencia Estado,

02 de abril de 2001 | 06h57

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