Aumento do consumo não atrai mais investimentos

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, estima que neste ano os investimentos públicos e privados alcançarão entre 19,5% e 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Será um resultado satisfatório, quando comparado com o do ano anterior - particularmente favorável -, em que a taxa de investimento foi de 21,8% do PIB. Seria uma boa notícia, se não levantasse uma série de dúvidas.

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h06

A Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) é composta essencialmente pela construção civil, que no ano passado representou 37,8% dos investimentos; e por máquinas e equipamentos, com 55,2%. Os outros investimentos ficam com 7%. Ora, Nelson Barbosa reconhece que o Programa Minha Casa, Minha Vida sofreu uma pausa e que o desempenho do setor público ficou aquém do registrado em 2010, com recuo dos investimentos da Petrobrás e daqueles sob responsabilidade direta do governo. Isso significa que os investimentos, neste ano, dependerão essencialmente dos do setor privado.

Ora, o noticiário de ontem do nosso caderno de Economia mostrava que o setor privado está reduzindo drasticamente seus investimentos e que os do exterior (Investimentos Estrangeiros Diretos) precisam ser interpretados com muito cuidado, pois boa parte deles se dirige apenas aos títulos de renda fixa, evitando, assim, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Além disso, outra parte importante do capital estrangeiro se concentra na indústria automobilística.

Estamos, pois, numa situação aparentemente paradoxal: o consumo doméstico continua muito robusto e as última medidas tomadas pelas autoridades monetárias devem se traduzir em novas facilidades de compras para as famílias. No entanto, as empresas industriais não responderam a isso com novos investimentos para atender ao crescimento da demanda do varejo, nem com a proximidade das festas natalinas.

Trata-se de uma reação que já analisamos sob diversas formas: a indústria nacional se convenceu de que não pode enfrentar a concorrência de alguns países (a China em particular) e prefere importar o máximo possível de componentes dos seus produtos finais para atender à demanda doméstica. A cada mês se formam mais "maquiadoras", em detrimento do crescimento da indústria nacional e, especialmente, do impulso para apresentar inovações na sua produção. De outro lado, é possível também que, em face das incertezas da economia internacional, considerem que o surto da demanda que se verifica no Brasil não terá vida longa.

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