Aumento do crédito de curto prazo preocupa Febraban

O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Nicola Tingas, mostrou-se preocupado hoje em relação ao aumento dos empréstimos de curto prazo pela população. "Este pode ser um sinal de começo do esgotamento da capacidade de consumir", avaliou, ao comentar que dados do Banco Central mostram elevação dos financiamentos mais curtos em detrimento dos prazos mais longos."Não deveríamos usar crédito tão curto num momento como este, de crescimento. O que me deixa preocupado é a tomada de recursos de curtíssimo prazo", considerou. Ele mencionou que é explícita a elevação menor de financiamentos para aquisição de automóveis, por exemplo, do que a dos usados por meio de cartões de crédito ou cheque especial. "O cheque especial é para ser usado apenas em emergências, pois se trata de um dinheiro punitivo", considerou Tingas.Apesar das considerações do economista, levantamento divulgado hoje pela Febraban e realizado com 42 instituições financeiras, revela que as expectativas de aumento do crédito para o final de 2007 aumentaram em todos os segmentos em relação a setembro. A projeção média de operações de crédito total, por exemplo, subiu no período de 19,97% para 20,91%.A maior elevação deve ser verificada, de acordo com a pesquisa, entre as pessoas físicas, que devem solicitar 25,16% a mais de empréstimos este ano em relação a 2006 - em setembro, a projeção média dos bancos estava em 24,56%. Para a compra de veículos os empréstimos devem subir 24,02% este ano, também de acordo com a estimativa média das expectativas dos bancos apurada pela Febraban. Em setembro, o porcentual previsto era de 23,70%. A previsão em relação à inadimplência este ano diminuiu de um mês para o outro, passando de 5,22% para 5,18%.Copa de 2014O economista-chefe da Febraban recomendou hoje que os investimentos a serem feitos no País por conta da Copa do Mundo de Futebol, aprovada hoje pela Fifa para ser realizada no Brasil em 2014, devam visar ao longo prazo. "Os investimentos devem ser feitos com inteligência e a infra-estrutura a ser montada não deve ser pensada apenas para o evento, mas ser construída pensando em usos alternativos posteriores", defendeu.De acordo com o economista, não há dúvidas de que o evento é significativo para qualquer país porque "anima" a economia local, amplia as oportunidades para o comércio e da construção civil, divulga o País no exterior e aumenta o número de turistas na margem. "Mas precisamos nos lembrar que quando houve as Olimpíadas na Grécia (em 2000), acreditavam num volume de turistas maior durante e após o evento que acabou não se concretizando", comparou.

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

30 de outubro de 2007 | 16h20

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