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Aumento do desemprego torna distante a retomada

Com o índice de desemprego de 8% no trimestre fevereiro/abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a recuperação da economia fica mais distante. Menos emprego significa menos consumo, menor possibilidade de endividamento e menos confiança no futuro. É o que sugerem o aumento do desemprego e a queda do salário médio divulgados no levantamento.

O Estado de S. Paulo

06 de junho de 2015 | 03h00

Os dados da Pnad Contínua pesquisada pelo IBGE são muito mais reveladores do mercado de trabalho do que os informados pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), também do IBGE. Têm abrangência nacional, enquanto a PME analisa seis regiões metropolitanas. E os números são claros o bastante para mostrar as dimensões do problema.

Entre um trimestre favorável ao emprego (outubro a dezembro de 2014) e o último trimestre pesquisado pelo IBGE, o desemprego aumentou de 6,5% para 8% – o que significa que mais de 1,5 milhão de pessoas com mais de 14 anos procuraram emprego e não acharam. Em relação a igual período do ano passado, o desemprego aumentou de 7,2% para 8%, atingindo quase 1 milhão de pessoas mais (número 14% maior).

O número total de pessoas ocupadas é de 92,2 milhões, segundo o IBGE. Já o de pessoas desocupadas passou de 6,8 milhões, entre novembro de 2014 e janeiro deste ano, para 8 milhões, agora.

O salário real também deixou de crescer. Aliás, caiu R$ 9,00, de R$ 1.864,00 para R$ 1.855,00 entre os períodos de fevereiro a abril de 2014 e de 2015. Tal foi o efeito da inflação sobre o rendimento dos trabalhadores, também sujeitos a pagar contas mais elevadas, em termos reais, caso da energia elétrica, do combustível, do ônibus e da água.

Não se estranhe, pois, que o consumo das famílias – o item mais importante do Produto Interno Bruto – tenha caído 1,5% entre os primeiros trimestres de 2014 e de 2015, segundo o IBGE. Emprego e renda real em queda têm tudo que ver com isso.

Como notou o coordenador da Pnad Contínua no IBGE, Cimar Azeredo, “há dificuldade de permanência do emprego e de geração de novas oportunidades”. Ou seja, “o cenário que se mostra hoje é de perda de emprego, perda de qualidade de emprego, remetendo a uma geração de trabalho focado na informalidade”. Acrescente-se que a situação dos trabalhadores informais, também retratada no levantamento, é pior que a dos ocupados que têm carteira assinada. É mais um fator de deterioração das expectativas.

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