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Aumento do desemprego vai elevar inadimplência, diz Acrefi

Entidade não divulgou o índice esperado de calotes, mas prevê uma taxa de desemprego de 10% em 2010

Ana Paula Ribeiro, da Agência Estado,

17 de novembro de 2008 | 14h24

A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamentos e Investimento (Acrefi) espera para o próximo ano a elevação da taxa de inadimplência. Segundo a instituição, o aumento das parcelas em atraso será conseqüência direta da elevação do desemprego no país, de menos de 8% em 2008 para 10% em 2010. "Não é tão ruim quanto no passado, mas sabemos que isso pode atrapalhar a economia", disse o presidente da instituição, Adalberto Savioli, que lembrou que há cerca de oito anos a taxa era de 12%. Em estudo divulgado pela Acrefi nesta segunda-feira, 17, há uma relação entre aumento do desemprego e inadimplência. Para cada um ponto porcentual de variação na taxa de desemprego, o índice de atrasos sobe 0,02293%. Savioli lembra ainda que há o efeito da queda na renda, em especial dos trabalhadores autônomos. O estudo não indica em quanto deverá ficar a taxa de inadimplência no próximo ano. Para Savioli, o cenário só não será pior devido ao perfil de crédito para pessoa física no Brasil. Cerca de 50% está concentrado em veículos e 22% em consignado, modalidades que possuem maiores garantias para os credores. O presidente da Acrefi acredita ainda que o maior rigor das instituições financeiras nos últimos dois meses não será suficiente para conter o aumento da inadimplência no ano que vem. "Os bancos estão mais conservadores e não querem dizer que inadimplência vai ficar estável no ano que vem. O volume já concedido é muito alto e será afetado pelo aumento do desemprego", afirmou. O maior rigor dos bancos só irá contribuir para que o crescimento do crédito no ano que vem seja menor do que o que deverá ser registrado nesse ano, de cerca de 30%. Essa desaceleração é influenciada pelo menor volume de concessões para o financiamento a veículos. Segundo Savioli, com base em dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o financiamento aos carros novos caiu 14% em outubro e para os usados, em 40%. Ele lembra ainda que há também uma redução na confiança dos consumidores, que fará com que tomem menos crédito.  Liberação de recursos  A Acrefi defende que o governo federal destine recursos às instituições que financiem veículos usados nos moldes das linhas que foram concedidas para que os bancos de montadoras financiassem os automóveis zero quilômetro. "Se o governo não abrir linhas para os bancos de médio e pequeno porte não vai conseguir girar a roda desse setor com eficiência", disse Savioli. Uma proposta nesse sentido já foi apresentada ao governo federal e, segundo ele, a receptividade foi boa. De acordo com ele, essas financeiras e bancos de menor porte respondem por cerca de 25% do financiamento de veículos e quase 50% do mercado de usados (automóveis com ao menos cinco anos de uso). Na avaliação da instituição, a falta de crédito ao veículo usado piora as condições de financiamento do setor de forma geral. Isso porque sem recursos para financiar os usados, as concessionárias e agências deixam de aceitar o usado como entrada. "Algumas concessionárias já não estão aceitando usados com o temor de não conseguir revendê-los e por isso há uma queda nos preços desses carros", disse. Para lidar com a falta de recursos para financiar os veículos usados, as financeiras e bancos de menor porte reduziram os prazos. As linhas de até 72 meses não são mais oferecidas e o limite máximo de parcelas caiu para 48 meses ou, em alguns casos, para no máximo 36. Conforme o presidente da Acrefi, essas instituições têm repassado também o aumento do custo de captação. Savioli acredita que a escassez de recursos para o financiamento de longo prazo será momentânea e aos poucos irá se recuperar, mas não irá voltar as condições registradas no final do ano passado e início do ano, de prazos superiores a 80 meses e sem entrada. "O movimento de exigência de entrada é saudável no setor", disse.

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