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Aumento do preço de commodities atrapalha programas de ajuda

As doações de alimento no mundo todoatingiram seu nível mais baixo desde 1973, enquanto o preço dosgrãos e do frete sobe a uma velocidade maior do que o orçamentode ajuda humanitária dos países ricos. A Organização das Nações Unidas (ONU) diminuiu a quantidadede comida distribuída em locais como Uganda e Camboja, e essasituação fez com que grupos de ajuda humanitária soassem osalarmes. Os grupos preocupam-se com a possibilidade de a doaçãode alimentos não conseguir atender aos 850 milhões de famintosdo mundo. Os EUA, o país que mais doa ajuda na forma de alimentos eque gastou cerca de 2 bilhões de dólares por ano com doaçõespara a Etiópia, o Sudão, o Afeganistão e outros locaisproblemáticos, vêem os custos cada vez maiores consumirem seuorçamento de ajuda. Em 2004, os norte-americanos pagaram um valor médio de 363dólares para comprar 1 tonelada de comida e enviá-la comoajuda, afirmaram autoridades. Neste ano, esse processo sairápor uma média de 611 dólares, segundo estimativas -- ou 68 porcento a mais. Esse salto deve-se, em parte, à demanda crescente peloetanol produzido do milho, uma alternativa à gasolina. Aatividade contribuiu para, no começo de 2007, levar o preço domilho a seu maior patamar dos últimos dez anos. Também há uma crescente demanda por grãos e alimentos emmercados emergentes como a Índia e a China -- o trigo atingiu omaior patamar dos últimos 11 anos nos EUA e o valor mundial doarroz aumentou 50 por cento desde 2000 --, além do recenterecorde atingido pelos preços do petróleo. Como o aumento dos custos é um fenômeno recente, pouco sesabe a respeito dele. Mas profissionais da área de ajudahumanitária já prevêem o surgimento de problemas caso os paísesdoadores não aumentem o volume de suas contribuições. "A quantidade de produtos disponíveis vai diminuir. E nãoconseguiremos alimentar tantas pessoas. Isso é preocupante",afirmou Charles Uphaus, do grupo norte-americano Pão para oMundo. De fato, a doação de alimentos no mundo todo em 2006 somoucerca de 6,7 milhões de toneladas, seu menor volume dos últimos34 anos, afirmou a ONU. Já o número de pessoas com fomeaumentou a uma média de 4 milhões por ano desde a metade de1990. Os grupos de ajuda também se preocupam com o surgimentomais frequente de crises de falta de alimento provocadas pelaviolência e por guerras. A recente tendência de alta dos preços "já vem surtindoefeito sobre a disposição e a capacidade dos governos de doarcomida", afirmou Stuart Clark, conselheiro do Banco CanadianFoodgrains, responsável por distribuir a maior parte dosalimentos doados pelo Canadá. CARREGAMENTOS MENORES, MENOS COMIDA A elevação dos preços adiciona mais um tema ao debatetravado atualmente em torno da ajuda fornecida pelos EUA. Aquestão está sob avaliação neste ano, durante o qual oCongresso deve criar novas leis para programas agrícolas,vales-refeição e doações de alimentos. Um relatório do começo de 2007 elaborado por um órgãoindependente de fiscalização do governo afirmou que até 65 porcento da ajuda alimentar realizada em caráter emergencial pelosEUA são gastos no transporte e com outras despesassuplementares. Com a escalada dos preços no espaço de algumas semanas,alguns grupos de ajuda importantes, como o Care USA, vêem-se emuma encruzilhada ao receberem doações que são em volume muitomenor do que o originalmente aprovado pelo governo. "Eles nos procuram para dizer que não vão entregar todo aquantidade (de alimentos)", afirmou Bob Bell, do Care USA. Noano passado, a entidade recebeu 14 por cento a menos em doaçõesde trigo a ser enviado a Moçambique do que o prometido. O aumento dos preços pode excluir algumas comunidades porinteiro, dizem grupos de ajuda, e provocar cortes orçamentáriospara programas de auxílio de longo prazo. Surgem tambémproblemas nos projetos de combate à subnutrição e agrícolas, eaté mesmo no pagamento do salário de funcionários. De outro lado, para grupos que obtêm recursos com a vendade alimentos norte-americanos doados para custear seusprogramas de desenvolvimento, os preços maiores representam umaboa notícia. David Evans, vice-presidente do grupo Comida para osFamintos, com sede nos EUA, afirmou que os preços maioressignificariam mais dinheiro para programas de combate àsubnutrição, de tratamento de água, de instalação de redessanitárias e outros que o grupo dirige na Bolívia, em Ruanda,em Moçambique e em outros países. (Reportagem adicional de Lisa Haarlander em Chicago)

MISSY RYAN, REUTERS

05 de setembro de 2007 | 12h27

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