Aumento do superávit é elogiado por economista

O economista José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e diretor da Tendências Consultoria Integrada, foi pródigo em elogios à decisão do governo de aumentar de 4,25% para 4,5% a meta do superávit primário. E acentuou que, pela primeira vez no País, está sendo usada uma política fiscal e uma política monetária como complementares uma da outra. "A política monetária sempre foi considerada uma política de combate à inflação, enquanto a política fiscal sempre foi tida como uma política de desenvolvimento, de gastos do Estado, a forma como o Estado pode intervir na economia para gerar emprego etc.", explicou o economista, em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News."Quando existe um excesso de demanda, você pode reduzi-lo, ou via aumento de juros, o que reduz a demanda do setor privado, ou via aumento do superávit primário, o que reduz a demanda do setor público." Para ele, num país como o Brasil, cuja dívida é bastante elevada, reduzir o gasto público é a forma correta de se combater o excesso de consumo. Receita idealSegundo Camargo, além de reduzir o gasto público, o ideal seria o governo também reduzir a tributação sobre bens de capital, como forma de incentivar o crescimento privado. Sobre a Selic (taxa básica de juros da economia), o economista acredita que ela não deve subir mais na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Para ele, o que pode influenciar o aumento não será o novo patamar do superávit primário, mas os números do IPCA, que ontem se mostraram em queda. "Isso significa, efetivamente, que você não tem excesso de demanda na economia; e, conseqüentemente, que o aumento da taxa de inflação advém do aumento de custos. Com o aumento do superávit primário, você pode, ou não aumentar mais os juros, ou ter um aumento menor do que o esperado pelo mercado."

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