Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Aumento dos investimentos externos

Pelos resultados do balanço de pagamentos do 1º semestre, publicados ontem, o Banco Central (BC) terá de rever suas previsões para o ano de 2007. Sua previsão para as transações correntes era um superávit de US$ 24,6 bilhões, que no primeiro semestre ficou em apenas US$ 4,3 bilhões. Em compensação, previra, na conta de capital e financeira, o equivalente ao superávit das transações correntes que, no primeiro semestre, apresentou saldo de US$ 59,8 bilhões.A análise dos dados de junho permite entender melhor essa diferença entre as previsões e o resultado efetivo. Com um saldo positivo das transações correntes de US$ 696 milhões, em junho, abaixo da média do 1º semestre, se verifica que o saldo da balança comercial é inferior ao dos primeiros seis meses do ano passado, em razão de uma importação muito maior. O que piorou foi o resultado dos serviços e renda. Houve aumento das despesas de transportes, mais ainda do saldo das viagens internacionais, cujas receitas aumentaram 11,1% no semestre e as despesas, 32,1%, em face do efeito negativo da taxa cambial e da desordem na aviação.As receitas de juros aumentaram 49,7% no semestre, em razão, essencialmente, da aplicação das reservas, enquanto as despesas (muito maiores do que as receitas) diminuíram 2,7%. Quanto às remessas de lucros e dividendos, registrou-se aumento de 2,4% das despesas e de 18,1% das receitas que, no entanto, representam apenas 8,4% das despesas. A redução da taxa Selic teve um efeito positivo sobre os juros da dívida e começa a se obter receitas das multinacionais brasileiras no exterior.A surpresa fica com a conta de capital. Em junho, houve um recorde, com Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) de US$ 10,3 bilhões, inclusive com empréstimos intercompanhias, valor ao qual se deve acrescentar US$ 4,7 bilhões de investimentos em carteira. Assim, no semestre, os investimentos no País aumentaram 182,5%.A isso se acrescentam os empréstimos, que elevaram a dívida externa do Brasil, no final de junho, em US$ 196,429 bilhões (dos quais US$ 49,6 bilhões de curto prazo), enquanto as reservas internacionais do BC estão em US$ 153,3 bilhões.A perspectiva de o Brasil atingir o grau de investimento deverá se traduzir por um aumento dos investimentos externos no País. A questão é saber por que o Brasil, em junho, teve uma taxa de rolagem da sua dívida de 247%, proporção que parece ter aumentado em julho.

O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2024 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.