Aumento dos juros sobrecarrega BNDES, diz Coutinho

Presidente do banco explica que alta da Selic adia aproximação entre taxas de mercado e juros de longo prazo

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

05 de junho de 2008 | 11h28

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou nesta quinta-feira, 5, em intervenção na reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto, que o aumento da taxa básica de juros, a Selic, aprovado na quarta pelo Copom adia a aproximação das taxas de mercado da TJLP, praticada pelo BNDES, e, por isso, sobrecarrega o banco. Ele defendeu, por isso, um reforço no funding da instituição. "O BNDES está sobrecarregado de demanda e tem de atender a esta demanda", frisou, sem no entanto criticar a decisão do Copom. "A inflação está subindo, mas o Banco Central está atento", declarou. Ele disse que o fundo soberano, a ser criado pelo governo, embora ainda vá demorar para começar a operar, ajudará a execução da política do banco. Coutinho defendeu a necessidade das empresas ampliarem os investimentos em inovação e no aumento da produtividade, de forma que possam elevar o salário real sem pressão de custos. Ele destacou que em todo pedido de empréstimo ao banco será indagado da empresa se está investindo em inovação. O presidente do BNDES classificou como grande desafio a meta da nova política industrial de elevar as exportações à razão de 9% ao ano, mas solicitou ao empresariado que continue propondo novas iniciativas ao governo.  Investimentos Coutinho afirmou não acreditar que o aumento das taxas de juros promovido pelo Banco Central possa desarmar o ciclo de investimentos produtivo atual tal como ocorreu entre 2004 e 2005. "Desta vez, o ciclo de investimento produtivo vai se manter firme e vamos ultrapassar essas pressões inflacionárias e colocar a inflação dentro da meta e, com isso, subir o crescimento potencial do PIB para perto de 5%", afirmou. Ele lembrou que o Banco Central tem sinalizado que o novo ciclo de alta de juros deve ser curto e que o seu objetivo é manter as expectativas sob controle. Coutinho afirmou que até o momento as decisões de investimento e a demanda por financiamentos dos banco têm se mantido muito firme. Segundo ele, os financiamentos para venda de bens de capital, por meio do Finame, têm subido em torno de 30% a 35% no mês na comparação com igual período do ano anterior. "Isso é resultado da confiança empresarial no País, mas para confiar é preciso ter certeza que a longo prazo a inflação estará sob controle", afirmou. Ainda segundo ele, não se pode por em risco um fundamento muito importante para a economia que é a confiança na estabilidade a médio e longo prazo. "É fundamental ter um Banco Central com credibilidade e capacidade para manter as expectativas de inflação sob controle porque cimenta a confiança", disse.  Petróleo O presidente do BNDES defendeu ainda a criação de um fundo intergeracional que acumule as riquezas provenientes da exploração do petróleo. Segundo ele, é uma riqueza nacional de tal escala que não se deve pensar para a atual geração. "É uma riqueza cujas regras de distribuição precisam contribuir para o desenvolvimento de todo o Brasil. É preciso pensar em um mecanismo diferente de apropriação dessa riqueza ao longo do tempo", defendeu.  Para ele, esta é uma discussão nacional muito relevante porque muda qualitativamente a situação do patrimônio nacional. "As regras legais precisam ser pensadas. Não é possível imaginar dilapidar isso de uma maneira pontual e com royalties mal calibrados", afirmou durante entrevista ao sair da reunião do CDES.  Ele explicou que em alguns países com riquezas minerais como a Noruega esses fundos são criados para investir nas gerações futuras. Segundo ele, em alguns países estes recursos ajudam inclusive na previdência.

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