Aumento fora da data-base pode gerar demissão, diz Fiesp

O empresário Nildo Masini, negociador da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), composto por nove sindicatos do setor metalúrgico, afirmou hoje que um aumento salarial fora da data-base poderá provocar uma espiral inflacionária e prejudicar os próprios trabalhadores, com prováveis demissões. Ele disse também não aceitar a pressão imposta pela Força Sindical e pela Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo, que entregaram hoje à Fiesp a pauta de negociação da campanha salarial de emergência.As duas entidades deram prazo, até 21 de março, para as negociações serem finalizadas, senão promoverão greves nas portas das fábricas. "A preocupação que temos é de não aumentar de forma absolutamente simplista um insumo importante para as empresas, que é a mão-de-obra, o que terá fatalmente transferência para os preços. E daí corre-se o risco de entrar em uma espiral inflacionária", afirmou Masini, após a reunião com os presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, e da Federação dos Metalúrgicos, Eleno José Bezerra. "Se entrarmos em uma espiral, quem perde mais é o trabalhador. E com a concorrência que há com os importados, um produto mais caro terá de ter preços diminuídos e em alguma hora a empresa terá de demitir", complementou Masini, que pediu aos sindicalistas cautela e racionalidade nas negociações. Durante a reunião de cerca de 20 minutos, Paulinho reconheceu que o acordo fechado em novembro, data-base dos metalúrgicos, foi bom, mas reclamou que houve disparada da inflação desde então e que o aumento médio de 10,26% foi quase todo corroído. "Para nós, 60% dessa inflação é culpa do FHC e 40% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não tem nada de político nessa campanha, o que tem é a inflação", argumentou. Paulinho apelou para o bom senso dos empresários e disse que um aumento agora seria benéfico para o País, uma vez que estimularia o consumo, que anda em baixa. "Além de facilitar a negociação quando chegar a data-base", complementou Bezerra.Pedro Evangelinos, diretor do Departamento de Integração Sindical (DIS) da Fiesp, adiantou que a pauta de reivindicação dos metalúerigos será entregue a todos os sindicatos que compõem os grupos 19-3 e 19-10. "A Fiesp recebe os pleitos e encaminha aos sindicatos", salientou. Os metalúrgicos pedem 10% de reposição da inflação dos últimos quatro meses além de redução de 44 horas para 40 horas da jornada semanal e um seguro especial para o trabalhador demitido, que receberia um salário mensal por até um ano. No próximo dia 11 haverá uma nova rodada de negociação entre os sindicatos patronais e as centrais sindicais.

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