Hélvio Romero / Estadão
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Aumento nas vendas na Semana do Brasil deve consolidar data no varejo, dizem especialistas

Levantamento aponta crescimento nas compras online e em lojas físicas no período de descontos de 6 a 15 de setembro

Flavia Alemi, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 09h00
Atualizado 19 de setembro de 2019 | 12h47

Correções: 19/09/2019 | 12h47

O impacto da Semana do Brasil nas vendas de setembro deve estimular os varejistas a abraçar a data no calendário comercial dos próximos anos, de acordo com especialistas do setor. O período promocional de 6 a 15 de setembro foi idealizado pelo governo federal e teve adesão dos varejistas. 

A Cielo, que mede dados de vendas feitas por cartões e QR Codes, utilizou duas bases comparativas, sendo uma delas a média de dias regulares, que excluem feriados, do primeiro semestre de 2019. A outra base considera o mesmo período do ano passado. No primeiro caso, houve aumento de 7,9% das vendas, enquanto no segundo, a alta foi de 11,3%.

"Se olhar como vinha crescendo o varejo no conceito ano contra ano, estava no patamar de 5%. Ou seja, teve uma aceleração do crescimento do patamar de 5% para 11%", disse Gabriel Mariotto, diretor de Inteligência da Cielo e responsável pelo levantamento dos dados. "Na minha avaliação, foi um bom resultado."

Na base que compara a média de dias regulares, apenas no comércio eletrônico houve aumento de 18,5%, mas Mariotto ressalta que aproximadamente 90% das vendas foram feitas em lojas físicas.

Porém, segundo a FX Retail Analytics, o fluxo de consumidores nas lojas físicas caiu 1,11% na Semana do Brasil na comperação com o mesmo período compreendido no ano passado. A empresa monitora o comportamento de consumidores por meio de sensores e câmeras instalados nas entradas de lojas como O Boticário, Centauro, Hering, entre outras, e mediu queda de 5,28% nos fluxos das lojas de calçados e de 2,06% nas de produtos de beleza. No segmento de eletrônicos, porém, houve aumento de 5,87%.

De acordo com a sócia e diretora de marketing da FX Retail, Flavia Pini, o aparente conflito entre o aumento das vendas nas lojas físicas e a queda no fluxo de consumidores pode ser explicado pela "omnicanalidade". "A pessoa pode comprar pelo site e a compra sair daquela loja ou centro de distribuição, mas não é ela quem vai buscar, necessariamente. O fluxo diminui e as vendas aumentam", disse.

Do ponto de vista do varejo digital, a Compre&Confie, que monitora vendas reais de mais de 80% do varejo digital brasileiro, calculou faturamento 30,3% maior durante a Semana do Brasil em relação ao mesmo período de 2018, com o total chegando a R$ 2,2 bilhões.

O diretor executivo do Compre&Confie, André Dias, faz uma ressalva, no entanto. "Apesar do aumento aparentemente expressivo nas vendas, devemos nos atentar que o e-commerce já apresenta um crescimento médio consistente de cerca de 20% em 2019, mesmo sem a data comemorativa", apontou.

Para ficar

Na opinião de Mariotto e Flavia, os resultados da primeira edição da Semana do Brasil devem estimular as varejistas a repetir a data nos próximos anos.

"Assim como a Black Friday hoje tem um tamanho bem maior no Brasil, acho que tende a ser uma semana que, nos próximos anos, se bem divulgada - e se as pessoas entenderem que de fato existe um desconto consistente - é um evento que pode emplacar", afirmou Flavia.

Para Mariotto, é necessário avaliar quanto a Semana do Brasil vai fazer diminuir as vendas em outras datas comerciais. Já foi medido, por exemplo, que a Black Friday diminui as vendas do Natal, mas o efeito líquido foi positivo. "O ideal para o varejista é que a Semana do Brasil tenha o mesmo efeito", disse.

Correções
19/09/2019 | 12h47

Ao contrário do publicado anteriormente, a FX Retail Analytics não atende a Adidas, como a empresa de monitoramento havia informado. 

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