Aumento salarial concedido por Kirchner gera críticas

O aumento salarial anunciado pelo governo Néstor Kirchner na semana passada está gerando muitas críticas de economistas porque o consideram "inoportuno". A maioria dos economistas acredita que o aumento de salário poderá ser refletido somente no consumo, mas este não será significativo.Também opinam que o aumento de salário não favorecerá a criação de novos empregos e que os investimentos serão desalentados. "O impacto no poder aquisitivo é pequeno, mas a poupança das empresas cairá, o que a médio prazo se traduzirá em menor capacidade de investimento", afirmou o analista Juan Luis Bour, da Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas (FIEL).No entanto, ele admite que a medida "teria que ser tomada mais cedo ou mais tarde" porque a defasagem salarial no país é muito grande. Para ele, o aumento é bom, mas o aumento do custo trabalhista provocado por este conspira contra a tentativa de geração de fontes genuínas de trabalho".Também da FIEL, o economista Daniel Artana acredita, no entanto, que o desemprego "vai baixar" porque é "natural que em uma economia reativada, o desemprego baixe", mas ele duvida que haja uma queda de dois pontos no índice de desemprego, como estima o governo."A decisão do governo não foi uma boa decisão. O que fez foi por um imposto ao uso do trabalho nas empresas do setor formal para subir as aposentadorias e forçar o aumento do salário mínimo. Enquanto não atinja o básico do convênio, que é o que pedem os sindicalistas, se põe um imposto à mão-de-obra para aumentar as aposentadorias e não é uma medida razoável. Vai ter um custo trabalhista de 10%", justificou Artana. Para ele, o aumento vai afetar o emprego e seu custo, o que afetará o ritmo de recuperação do mesmo", concluiu. Já o presidente da Fundação Capital, Carlos Pérez, avalia o aumento salarial como uma medida "política e pró-sociedade, que considero necessária para que a reativação econômica se possa transformar em crescimento à médio prazo". Porém, ele coincide com os economistas da FIEL ao afirmar que "além do custo fiscal e empresarial, que em termos desagregados impactará nas pequenas e médias empresas, as medidas contribuem para a precarização do mercado trabalhista, salvo que funcione bem o plano anti-evasão fiscal, e pode frear a criação do emprego e até gerar desemprego".

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