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Aumentos levam construtoras mineiras a simplificar imóveis

Pressionados pelo aumento dos materiais de construção e pela necessidade de ampliar mercado, incorporadores e construtores mineiros cogitam simplificar o padrão de entrega dos imóveis na Grande Belo Horizonte. Em vez de oferecer as unidades com acabamento completo, pensam em passar a entregá-las sem piso nem armários embutidos de cozinha, banheiro e dormitórios. Também se discute a troca do granito, mármore e cerâmica por tinta acrílica nas fachadas."Só esses itens são capazes de abater até 10% do preço ao comprador", calcula o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-MG), Teodomiro Diniz Camargos. "O acabamento é uma das etapas que mais pesam no orçamento", justifica. Com isso, o mercado mineiro aproximaria-se do padrão em São Paulo, onde diversas empresas costumam vender os imóveis sem mobiliário nem revestimento, que fica a cargo e de acordo com a preferêcia do comprador.FachadasSegundo Camargos, trocar as fachadas de pedras ornamentais e cerâmica por tinta acrílica é a medida que apresenta maior resistência dos compradores, ao passo que o acabamento interno pode ser modificado por iniciativa própria, ao longo do tempo. Mesmo assim, diante dos reajustes dos materiais, é bem possível que os empreendedores tomem essa decisão.O Sinduscon-MG não dispõe de dados sobre materiais para fachada. Mas o azulejo branco extra 15 x 15 cm, aplicado em paredes, subiu 17,01% no ano, a tinta látex à base de PVA (para ambientes internos) aumentou 3,09%. Embora não seja referência direta, essa diferença serve de exemplo de como essas categorias de produto estão se comportando. Enquanto os custos dos materiais em geral acumularam alta de 7,18% de janeiro a outubro, os utilizados em pisos tiveram taxas bem maiores. A cerâmica esmaltada 20 x 20 cm subiu 18,35%; o mármore para mesmo uso, 7,31%; o granito polido, 11,74%; a tábua corrida, 10,24%; e o carpete com espessura de 6 mm, 13%.Troca gradualSegundo Camargos, a intenção das empresas é realizar a transição gradualmente. No início, cogita-se oferecer os dois padrões num mesmo empreendimento. A médio prazo, porém, a tendência é que prevaleçam os imóveis sem acabamento. Para o construtor, a maior vantagem é conferir mais liquidez ao empreendimento. "Não podemos rechear demais a unidade para não inviabilizar o acesso dos interessados", justifica.O presidente do Sinduscon-MG afirma que isso não acarretará, necessariamente, na recuperação das margens de incorporadores e construtores. O que, segundo ele, só acontecerá com o crescimento da economia e o aumento de renda dos brasileiros. Leia mais sobre o setor de Construção Civil no AE Setorial, o serviço da Agência Estado voltado para o segmento empresarial.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2002 | 14h49

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