Baz Ratner/Reuters
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Aura Minerals faz IPO de R$ 790 milhões e será primeira produtora de ouro na B3

Empresa com sede no Canadá chega à Bolsa brasileira com valor de mercado de mais de R$ 3,9 bilhões; oferta foi beneficiada pela maior procura por investimento em ouro durante a crise provocada pela pandemia

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2020 | 11h57

Já com capital aberto na bolsa de Toronto, no Canadá, berço do mercado de capitais para o setor mineral em todo o mundo, a Aura Minerals acaba de fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na B3, de R$ 790,1 milhões. Será a primeira produtora de ouro da Bolsa brasileira. O estreia empresa, que tem valor de mercado de R$ 3,9 bilhões, será na próxima segunda-feira, 6, sob o código AURA33. 

Por ser uma empresa estrangeira - sua sede é no Canadá - e ter a maior parte de seus ativos fora do País, a Aura entra na Bolsa de São Paulo com BDRs, que são os títulos que representam ações listadas fora do País.

Do total da oferta, R$ 271 milhões irão para o caixa da empresa. O restante vai para o bolso do acionista vendedor, o Monazita Resources. O prospecto aponta que os recursos serão utilizados para o desenvolvimento, manutenção e expansão dos ativos operacionais, exploração e desenvolvimento de projetos ainda não operacionais e reforço da estrutura de capital da companhia.

A ação foi precificada nesta quinta-feira, 2, em R$ 820, no piso da faixa indicativa de preço, que ia até R$ 990. Apenas participaram investidores profissionais, basicamente fundos, visto que a oferta utilizou, pela primeira vez no Brasil, o modelo de esforços restritos de distribuição, no qual são vetadas pessoas físicas. 

Por 18 meses os BDRs poderão ser negociados apenas entre investidores qualificados, que são aqueles com mais de R$ 1 milhão em investimentos financeiros.

Com o IPO, maior parte da liquidez da empresa, cerca de 60%, ficará no Brasil, conforme estimativas. A demanda superou a oferta em cerca de duas vezes, segundo fontes.

A Aura é controlada pela Northwestern Enterprises, veículo de investimentos detido pelo empresário brasileiro Paulo Carlos de Brito, que possui 56,58% do capital e não vendeu ações.

A oferta, em meio à pandemia de covid-19, acabou sendo beneficiada pela busca dos investidores por ouro nos últimos meses, movimento comum em momento de crise

No fim de abril, o Bank of America divulgou um relatório intitulado "Fed can't print gold (O Fed não pode imprimir ouro), em uma alusão à injeção de trilhões de dólares pelo banco central norte-americano nas economias. No documento o BofA estimou o preço do ouro em 18 meses em US$ 3 mil a onça (cerca de 28 gramas), 50% a mais que o recorde atual. O relatório, no fim das contas, ajudou nas conversas com investidores.

A oferta foi coordenada pelo Credit Suisse, Itaú BBA, Safra e XP.

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