Austeridade: debate de Rogoff e Reinhart com Krugman ganha força

Depois de crítica a estudo sobre os perigos da dívida, economistas de Harvard acusam Paul Krugman, de Princeton, de ter um ‘comportamento espetacularmente grosseiro’

Danielle Chaves, da Agência Estado,

27 de maio de 2013 | 12h52

NOVA YORK - O debate sobre os méritos da austeridade e os perigos da dívida ganha força entre os economistas internacionais. Neste fim de semana Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, de Harvard, acusaram Paul Krugman, de Princeton, de apresentar um "comportamento espetacularmente grosseiro" e de alegar equivocadamente que eles se recusaram a compartilhar informações de um trabalho que relacionou altos níveis de dívida com lento crescimento.

Estudos como o de Rogoff e Reinhart, que alertam para os perigos da grande dívida dos governos, "não apenas perderam o status canonizado como se tornaram objeto de ridicularização", afirmou Krugman em um artigo recente no qual criticou os defensores da austeridade. "Apesar da influência do estudo deles, Reinhart e Rogoff não disponibilizaram amplamente os dados e pesquisadores que trabalharam com as mesmas informações não conseguiram reproduzir os resultados deles", disse Krugman.

Rogoff e Reinhart responderam neste domingo no site deles. "Foi com profunda decepção que observamos seu comportamento espetacularmente grosseiro nas últimas semanas", escreveram na carta. "Você nos atacou em termos muito pessoais, praticamente sem parar, em sua coluna no New York Times e em seu blog. Agora você acrescenta a acusação de que não compartilhamos nossos dados."

Os resultados do estudo de Reinhart e Rogoff foram colocados em xeque no mês passado, quando Thomas Herndon, um estudante da University of Massachusetts Amherst, encontrou um erro nos cálculos incluídos no trabalho. Os dois economistas admitiram o erro, mas mantiveram suas conclusões, e no começo deste mês publicaram em seu site uma correção do estudo de 2010.

A contestação dos resultados de um documento que forneceu base para as políticas de austeridade que se seguiram à crise recente teve efeito imediato e global. O trabalho de Reinhart e Rogoff defendeu fortemente os cortes de gastos e a redução dos déficits, mas Krugman há muito tempo ataca essa linha de pensamento, dizendo que limitar os gastos do governo agora provavelmente impedirá a recuperação da economia. As informações são da Dow Jones.

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