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Austeridade leva Reino Unido de volta à recessão

Com a maior campanha de corte de gastos desde a 2ª Guerra, desempenho da economia britânica é pior que nos anos que se seguiram à crise de 1929

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h10

Com um desempenho pior que nos anos que se seguiram à crise de 1929, o Reino Unido entra em mais uma recessão e analistas já alertam que será inevitável a contração da economia europeia. Espanha, Holanda, Itália, Irlanda, Portugal e Grécia também já vivem uma recessão.

Mas o fato de a economia britânica ter sucumbido torna explícito para a oposição que políticas de austeridade estão asfixiando a Europa. Os dados também distanciam a Europa da economia dos Estados Unidos, que conseguiu evitar a nova queda.

Essa é a primeira vez que o Reino Unido tem uma dupla queda desde 70. Na prática, não conseguiu se recuperar do tombo de 2008 e já volta a uma nova recessão. O Produto Interno Bruto (PIB) havia sofrido contração de 0,3% no fim de 2011, seguido por queda de 0,2% entre janeiro e março de 2012. Dois trimestres consecutivos de contração marcam o início da recessão.

Assim como ocorreu na Espanha, a queda do consumo doméstico é o que está levando o Reino Unido à recessão. As políticas de austeridade retiraram da economia bilhões em salários e investimentos, públicos e privados.

A renda dos trabalhadores cresceu abaixo da inflação e obras públicas estão em parte paralisadas. Ontem, o Banco Central Europeu indicou que sua injeção de 1 trilhão nos bancos europeus ainda não se traduziu em expansão do crédito.

No Reino Unido, a austeridade se traduz na contração de 3% no setor da construção, a maior desde 2009, além de redução de 0,4% na produção industrial. Hoje, Londres impõe a maior campanha de corte de gastos desde a 2.ª Guerra. Além disso, a crise na zona do euro afetou as exportações, já que os mercados europeus são os maiores importadores de bens do Reino Unido.

Ontem, porém, o primeiro-ministro David Cameron garantiu que daria início a uma série de medidas para incentivar o crescimento da economia. Analistas, como o Nomura International, já apostam que o BC inglês terá de injetar outros £ 25 bilhões na economia em maio.

Apesar da recessão, eles estimam que o Reino Unido poderá sair dessa situação ainda neste ano. Mas isso não significará uma recuperação. O Tesouro britânico prevê expansão de apenas 0,8% em 2012.

Asfixia. Críticos do modelo de austeridade implantado por toda a Europa não perderam a ocasião para atacar a estratégia adotada da Grécia a Portugal, passando por Holanda e Reino Unido. Ed Miliband, líder da oposição, alertou que, se a primeira recessão foi gerada pela queda do Lehman Brothers nos Estados Unidos, esta segunda tem sido construída pelo próprio governo e sua austeridade. "Os cortes são profundos demais e rápidos demais", alertou.

Uma avaliação do Citi indicou que, em comparação com 1930, a recuperação tem sido mais lenta desta vez, justamente por causa da política de austeridade. Há 70 anos, a queda foi recuperada 16 trimestres depois. Hoje, quatro anos depois da eclosão da crise, o PIB britânico ainda está 4,3% abaixo de seu pico de 2008.

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