Austeridade monetária vai perdurar, avalia Trevisan

"Não há a menor chance de que haja uma mudança na política monetária do ministro Palocci", afirmou o presidente da Consultoria Trevisan, Antoninho Marmo Trevisan, em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". Ele disse que a escolha do novo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afinado com o ministro da Fazenda, é um bom indicativo de que o governo não deverá mudar a sua política de austeridade. "A sinalização é de que a estratégia de crescimento, a situação muito austera na política fiscal e na política monetária, vão continuar. Eu acho que isso foi confirmado na decisão do presidente Lula."Antoninho Marmo Trevisan criticou a decisão do Copom de aumentar a taxa básica de juros (Selic) e sugeriu que o setor produtivo deveria participar das decisões sobre aumento dos juros. "Mais do que nunca, é preciso que mais pessoas participem dessa decisão. Eu me entusiasmo com a idéia de ter representantes do setor produtivo e dos sindicatos no Conselho Monetário Nacional", salientou Trevisan. Ele lembrou que as decisões do Copom de aumentar os juros, além dos efeitos já conhecidos sobre o crescimento da economia, acabam se transformando num indicativo para a população de que as coisas não vão bem. "E, quando o Copom faz o contrário, ele também promove um crescimento mais acelerado."Na opinião do consultor, a reação da sociedade contra o aumento de impostos embutido na Medida Provisória 232 foi um marco de que a sociedade não tolera mais aumentos de tributos. "A alternativa é passar a ter uma emenda constitucional que estabeleça um limite. Porque é da natureza dos governos gastar cada vez mais", frisou Trevisan. Ele citou o resultado da pesquisa CNI/Ibope sobre a política de impostos do governo. "O governo está recebendo um aviso grave e sério: você não pode afirmar sistematicamente que não vai aumentar tributos e depois o faz na calada da noite."

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