Austin Asis espera mais medidas para redução dos juros

A redução dos spreads bancários ? diferença entre juros de captação e taxas cobradas nos empréstimos ? no Brasil é uma questão complexa e exigirá mais medidas por parte do governo. A avaliação é do diretor da empresas de consultoria Austin Asis, Erivelton Rodrigues, especializada no setor bancário. Segundo ele, o Brasil tem os maiores spreads do mundo, com uma média de 43,5%, enquanto nos Estados Unidos essa taxa está em torno de 3,0% ao ano, no Japão em 1,8% e no Chile em 3,9%.Rodrigues mostrou que uma das explicações para os elevados spreads vem da forte tributação das operações bancárias. Segundo ele, cerca de 29% da composição dos spreads vem de impostos (21% de impostos diretos e 8% de impostos indiretos), 17% resultam de inadimplência, 14% de despesas administrativas, enquanto as margens dos bancos respondem pelos 40% restantes.AlertaO diretor da Austin Asis alertou que uma redução drástica dos spreads pode resultar em problemas para o setor bancário brasileiro. "É preciso que, ao mesmo tempo em que se baixa os spreads, haja aumento do volume dos empréstimos. Caso contrário, muitos bancos, especialmente de médio porte, poderão ter problemas, já que não têm escala de operação", observou.Além dos elevados spreads nos empréstimos, os bancos ganham muito dinheiro com operações de tesouraria, devido à oscilação do mercado interno. À medida que o mercado se estabiliza, essa fonte de receitas também se reduz, comentou. Segundo ele, as operações de crédito no Brasil representam 24% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto nos Estados Unidos essa relação é de 80%, no Japão de 120% e na Espanha de 130%.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.