Austrália desiste de investigar mercado de minério de ferro

O governo da Austrália decidiu rejeitar uma investigação sobre o mercado do minério de ferro, durante uma semana tumultuada envolvendo o tema no país, com um ácido debate sobre o forte avanço da produção nesse setor, apesar da queda nos preços globais. O caso provoca um debate no país sobre se os recursos naturais pertencem ao país ou a companhias privadas que os exploram.

Estadão Conteúdo

24 Maio 2015 | 10h37

Mais cedo neste mês, o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, apoiou os pedidos para que o Comitê Econômico do Parlamento investigasse as alegações de que as gigantes da mineração BHP Billiton e Rio Tinto estavam puxando para baixo os preços do minério de ferro, ao elevar sua produção de maneira a prejudicar os competidores menores e a própria economia do país.

Um sinal da divisão dentro do governo sobre o tema, porém, foi dado no fim da quinta-feira, quando o ministro das Finanças, Joe Hockey, descartou qualquer plano para investigações.

A decisão ocorreu após uma campanha pouco usualmente incisiva, das normalmente discretas gigantes da mineração. O presidente da BHP, Andrew Mackenzie, disse que qualquer investigação seria "uma ridícula perda do dinheiro dos contribuintes".

A queda nos preços do minério de ferro reduz a receita australiana com impostos, dificultando a tarefa do governo de melhorar as finanças nacionais. A Austrália é responsável por mais da metade do comércio global de minério de ferro, essencial para a fabricação de aço.

"Os proprietários dos recursos são essencialmente australianos, certo, não as corporações", disse Flávio Menezes, professor de regulação econômica da Universidade de Queensland que apoiava a investigação. Segundo ele, a queda nos preços é um tema político e seria "um erro muito custoso" para o governo decidir ignorá-lo.

A BHP e a Rio Tinto dizem que o minério de ferro é uma commodity negociada globalmente, em um livre mercado, e que suas expansões, planejadas anos atrás, ocorrem em benefício de seus acionistas. Também argumentaram que outros países simplesmente elevariam a sua produção, caso elas deixassem de expandi-la, o que acabaria prejudicando a própria Austrália.

A próxima eleição geral australiana ocorre em menos de 18 meses e o minério de ferro deve seguir como um tema importante no país. Fonte: Dow Jones Newswires.

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