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Austrália ocupa a 1ª colocação entre as nações mais criativas

No Brasil, São Paulo e Rio concentram as maiores oportunidades de salários e cursos de capacitação

Bruno Oliveira, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2016 | 05h30

Os países que apostaram no desenvolvimento da indústria criativa hoje contam com incrementos importantes de receita em suas economias. Atualmente, a Austrália é considerada a nação com o melhor ambiente para criação e manutenção de novos negócios ligados à economia criativa, destronando países como os Estados Unidos, Canadá, e os escandinavos que tradicionalmente ocupam os primeiros lugares das pesquisas com frequência, como Suécia e Finlândia.

Segundo a pesquisa Global Creativity Index 2015, do Martin Prosperity Institute (MPI), o país da Oceania possui o melhor ambiente para inovação, pesquisa e retenção de talentos nas empresas locais, seguido por Nova Zelândia, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Islândia, Singapura, Holanda e Noruega. O Brasil aparece na 35ª posição.

Para Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo e inovação do Insper, o resultado da pesquisa reflete as políticas públicas adotadas nos países que lideram o ranking referente ao ano de 2015. “A economia criativa é muito desenvolvida na Austrália, que foi um dos primeiros países que apostaram no segmento criativo como forma de desenvolver a economia local por meio de serviços e produtos desenvolvidos sobretudo em pequenos negócios”, explica o professor. “Essa medida foi fundamental para a Nova Zelândia, por exemplo, um lugar que depende de novos negócios que oferecem alto valor agregado, já que possui um mercado pequeno e poucas indústrias”, ele completa.

Como exemplo para o Brasil, o especialista cita o fomento que o poder público australiano injeta nas pequenas empresas cujos negócios são voltados para a internet.

“É um caminho interessante a seguir porque são negócios que têm pouca estrutura e geram muito valor. Com incentivos e acesso ao crédito, por exemplo, esses negócios conseguem se manter ativos e, o que é mais importante, conseguem escala dentro do mercado. O retorno deste movimento para a economia local pode ser sentido relativamente rápido”, diz.

No Brasil, os estados que mais se destacam dentro da economia criativa, no que diz respeito a número de empregados contratados, são São Paulo (349 mil trabalhadores) e Rio de Janeiro (107 mil trabalhadores), respectivamente, segundo dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), de 2014. Para Nilza Bueno, coordenadora do Núcleo de Economia Criativa da ESPM, apesar dos gargalos de formação e de recursos, a tendência é que a capital paulista continue sendo como o principal destino dos profissionais.

“O atrativo que a cidade tem, que acaba sendo um diferencial na comparação com outras cidades do país, é a questão dos salários maiores. Além disso, existem alguns cursos na área. Esses dois fatores, combinados, posicionam a cidade como um centro importante dentro da economia criativa”, explica Nilza. Nos quesitos pesquisa e desenvolvimento, no entanto, a região Sul desponta também como uma área que vem mostrando resultados expressivos, segundo dados do Firjan.

As participações da indústria criativa no total da força de trabalho em Santa Catarina (2%) e Rio Grande do Sul (1,9%) também ficam acima da média brasileira, e o Paraná (1,6%) muito próximo. Nesses casos, o segmento com maior representatividade é o design. Santa Catarina (16,9%), Rio Grande do Sul (13,7%) e Paraná (13,6%) são as três cidades da região com mais destaque neste quesito, segundo o levantamento realizado pela Firjan.

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