Austrália pode se aliar ao Brasil contra subsídios ao algodão

Depois de anunciar que irá se aliar ao Brasil em uma queixa contra as barreiras da União Européia (UE) ao açúcar, a Austrália estuda mais uma união com Brasília. Nesse caso, a aliança será para combater, na Organização Mundial do Comércio (OMC), os subsídios dos Estados Unidos ao algodão. Autoridades brasileiras e australianas têm trocado informações sobre a iniciativa do Ministério da Agricultura de lançar uma ofensiva contra o apoio do governo norte-americanos aos produtores locais de algodão. O Brasil alega que os subsídios dados por Washington a seus produtores acabam prejudicando as vendas nacionais. Ao ajudar os fazendeiros americanos, a Casa Branca acaba contribuindo para a queda nos preços internacionais do produto, o que prejudica a renda dos agricultores brasileiros. A Austrália enfrenta problemas similares. Segundo o Segundo o embaixador da Austrália na OMC, David Spensor, os produtores de seu país estão tendo grande prejuízos com a queda no preço internacional do algodão. Outro efeito é a competição desleal que enfrentam os produtores brasileiros e australianos em terceiros mercados. O algodão desses países acaba tendo que competir com o produto norte-americano subsidiado e, muitas vezes, acaba perdendo mercado. Segundo o governo brasileiro, os porejuízos chegam a US$ 700 milhões por ano. A decisão de iniciar uma queixa na OMC contra os Estados Unidos deve ser tomada ainda neste mês pelos dois países. A OMC, então, avaliaria se os norte-americanos estariam violando regras internacionais ao dar subsídios. MilhoEnquanto Brasil e Austrália se unem para atacar Washington, a UE volta a colocar barreiras aos produtos agrícolas, principalmente ao trigo e milho. Os europeus anunciaram que vão restringir a entrada desses produtos ao mercado da UE, o que irritou os Estados Unidos e Canadá. "É um sinal na direção contrária ao que gostaríamos de ver da Europa", afirmou o embaixador dos Estados Unidos, Allen Johnson. Para o secretário de Produção do Ministério da Agricultura, Pedro Camargo Neto, a iniciativa da UE pode ter efeitos negativos para as exportações brasileiras no futuro. "Nesse ano não exportaremos milho, mas se nas safras seguintes quisermos vender no mercado europeu, teremos problemas", afirmou Camargo Neto, que lembrou que, no ano passado, o Brasil chegou a exportar milho para a Europa.

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