Automação garante padrão de qualidade

Nem todo mundo é Apple. Na verdade, poucas empresas têm a força e a escala da fabricante dos iPads e dos iPhones para buscar fornecedores chineses com garantia de prazo e qualidade. Com o movimento de transferência de produção para a China, nas últimas décadas, as fabricantes chinesas mais bem preparadas estão sobrecarregadas, o que já provoca um movimento de quarteirização, em que o serviço de clientes internacionais pequenos e médios é repassado para fabricantes menores.

O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2012 | 03h08

Com isso, essas empresas pequenas e médias começaram a receber produtos de qualidade inferior, fora do prazo . "O primeiro e o segundo lotes vêm com a qualidade combinada, mas, daí em diante, começa a haver perdas", disse Wagner Bello, diretor da Fanuc Robotics do Brasil, subsidiária da empresa japonesa que é uma das maiores fabricantes de robôs do mundo. "Isso incentiva a demanda interna por robôs."

Reportagem recente da revista Wired mostrou várias empresas pequenas e médias americanas que trocaram a produção na China por uma fábrica automatizada nos Estados Unidos. Uma delas, chamada Sleek Audio, produz fones de ouvido de alto padrão. Apesar de os donos visitarem a cada dois meses o fornecedor em Dongguan para garantir a qualidade, receberam uma encomenda de 10 mil fones de ouvido que precisaram ser descartados, porque não foram soldados da maneira certa, o que levou a milhões de dólares de prejuízo. Em 2010, decidiram transferir a produção para os EUA.

Segundo Bello, esse movimento também acontece no Brasil, em setores como autopeças. "O robô está se tornando extremamente barato", disse o executivo. "O preço está em 25% do que custava há oito anos."

Existem máquinas da Fanuc a partir de R$ 50 mil. E o robô ainda serve para resolver outros problemas, como a falta de mão de obra.

Sem citar o nome, Bello afirma que um de seus clientes, do setor alimentício, enfrentava dificuldade de encontrar pessoal para o terceiro turno da fábrica, que funciona 24h por dia. A solução foi comprar robôs. "Estamos quebrando o paradigma de que o robô tira o emprego das pessoas". diz. No ano passado, o mercado brasileiro de automação industrial movimentou R$ 3,725 bilhões, 15% a mais do que em 2010, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

Enquanto os robôs avançam, muitos se perguntam quando vai se tornar realidade o robô doméstico, como a Rosie, empregada dos Jetsons. Durante a Cebit, evento em Hannover, na Alemanha, engenheiros do Instituto de Tecnologia Karlsruhe (KIT, na sigla em alemão), apresentaram um robô capaz de realizar pequenas tarefas domésticas, como colocar a louça na máquina de lavar. A bateria durava somente três horas, e o preço era de 200 mil euros.

O mais próximo que se tem hoje de um robô doméstico comercialmente viável é o aspirador de pó Roomba, que se desloca sozinho pela casa, limpando o chão. "De certa forma, sua máquina de lavar roupas já é um robô", afirmou Dan Barry, professor da Singularity University, que esteve em São Paulo no mês passado. Segundo ele, o problema é que os robôs ainda são muito lentos. "Não servem para mim ou para você, mas já podem ajudar pessoas com deficiências. Acho que é por aí que vamos desenvolvê-los e barateá-los." / R.L e R.C.

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