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Autopeça sofre com inadimplência

Importadores dos EUA não retiram mercadorias e empresas brasileiras arcam com multa e armazenamento de peças

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Um dos setores mais afetados pela inadimplência dos clientes externos é o de autopeças, que já assistiu às suas exportações caírem 34% - de US$ 3,78 bilhões no primeiro quadrimestre de 2008 para US$ 2,49 bilhões este ano. As empresas estão deixando de pagar ou atrasando o pagamento de financiamentos feitos sob a forma de ACCs (Adiantamento sobre Contratos de Câmbio).A dificuldade maior em honrar contratos vem de clientes dos Estados Unidos e Europa, onde estão as matrizes das principais montadoras e de seus fornecedores, assim como do México e da Argentina."Muitas empresas estão arcando com multas por inadimplência e ainda por cima são obrigadas a bancar o armazenamento de peças lá fora", informa Paulo Butori, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Empresas consultadas pelo Estado confirmaram o problema, mas pediram para não ter os nomes divulgados por temerem complicações com empréstimos futuros.O ACC permite ao exportador obter recursos financeiros antes do embarque da mercadoria a taxas de juros internacionais mais um spread. O tomador conta antecipadamente com recursos para a produção do bem. Após o envio da mercadoria, tem 180 dias para apresentar a comprovação da exportação. O comprador ressarce o próprio banco que fez a operação, mas, quando isso não ocorre, o exportador é multado.Segundo Butori, normalmente as empresas enviam encomendas para os clientes e as mantêm em galpões até a retirada pelo comprador. O sistema sempre funcionou nos momentos de produção normal da indústria, evitando falta de peças."Recentemente, porém, várias empresas enviaram pedidos e, diante da queda da produção, o cliente não retirou do armazém", explica Butori. Como o importador não assinou nota de entrega, a exportação não foi confirmada e o exportador não tem como comprovar o processo junto ao banco.Uma fabricante de São Paulo informa que, desde o início do ano, gasta mensalmente cerca de US$ 25 mil só com o pagamento de armazenagem de peças que enviou a um cliente na Europa que não retirou os lotes."Não posso trazer as peças de volta ou tentar vender para outro cliente porque foram feitas especialmente para um tipo de carro", explica o exportador, que tem o mercado externo como grande provedor de seu faturamento. Ele pediu para preservar também o nome do cliente.MULTASA Elring Klinger, que produz juntas de cabeçote e defletores de calor em Piracicaba (SP), pediu ao banco credor um adiamento de mais três meses para o prazo de comprovação da exportação. Hans Eckert, diretor da empresa, diz que tem conseguido fazer acordos com os clientes para parcelar entregas. "Não podemos tirar água de pedra." A empresa já exportou 25% de sua produção, participação que caiu a 15%.Outro exportador conta que banca um lote de peças exportadas para os EUA, um contrato estimado em US$ 1 milhão. Custos com transporte, seguro e armazenagem já corroeram pelo menos 10% desse valor. O Sindipeças tem falado com o Banco Central e o BNDES para tentar suspender multas em casos desse tipo. "Não é responsabilidade nossa e de nossos clientes, pois trata-se de problema que atingiu o mundo todo", justifica Butori, que culpa a crise.

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