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Autopeças cortam 28,7 mil vagas

Também desde outubro, montadoras demitiram 7,8 mil

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2009 | 00h00

Desde outubro, quando a crise global começou a afetar mais seriamente o mercado brasileiro, as montadoras e as fabricantes de autopeças demitiram 36,5 mil trabalhadores. Só a indústria de componentes eliminou 28,7 mil postos, enquanto as montadoras cortaram 7,8 mil vagas. Os dois segmentos foram beneficiados com medidas de apoio pelo governo federal.As demissões foram estancadas nas autopeças em fevereiro e março porque muitas delas fizeram acordos de redução de jornada e salários. Vários desses acertos vencem em abril. Segundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, as empresas que fornecem componentes para a produção de caminhões e ônibus devem prorrogar esses acordos, pois o segmento não tem apresentado reação.Já as fábricas cujas atividades são voltadas ao segmento de automóveis e comerciais leves podem voltar à atividade normal, mas o nível de retomada vai depender, segundo Butori, da prorrogação ou não do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).A redução, em vigor desde meados de dezembro, está prevista para terminar no fim do mês. "Se não houver prorrogação, a vaca vai para o brejo", afirmou Butori. Segundo ele, a queda do IPI possibilitou a venda de cerca de 77 mil veículos a mais no primeiro bimestre em relação à média dos últimos meses de 2008, quando o crédito para financiamento secou."Sem essa medida, o corte de funcionários poderia ter dobrado", afirmou Butori. As autopeças empregam hoje 203 mil funcionários ante 231,7 mil em setembro e operam com ociosidade acima de 20%. As montadoras passaram de um quadro de 131,7 mil pessoas para 123,9 mil. Butori acredita que a produção este ano chegue a 2,7 milhões de veículos, 16% a menos que em 2008. "Isso se a alíquota do IPI permanecer reduzida até o fim do ano", ressaltou.Butori afirmou que outra preocupação do setor é com as exportações, que caíram 10,3% em 2008 ante a 2007 (para US$ 10 bilhões), resultando num saldo negativo de US$ 2,5 bilhões na balança comercial do setor. No primeiro bimestre, o déficit é de US$ 455 milhões.

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