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Autopeças nacionais dão a volta por cima

A Mangels, uma das que resistiram às ofertas de fora, terá fábrica em Manaus

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 00h00

Perto de completar 80 anos, a Mangels, que em todo esse período manteve-se sob controle familiar, vai aumentar os negócios no País com a construção de uma fábrica em Manaus (AM). A sexta filial do grupo vai consumir inicialmente R$ 10 milhões e iniciará produção em janeiro de 2009 com a produção de chapas de aço para a indústria metalúrgica. Nos próximos dois anos, o grupo também terá a primeira unidade internacional na Argentina.''''Estamos avaliando se vamos comprar uma empresa de rodas que já atua no mercado argentino ou se vamos construir uma fábrica'''', diz Robert Mangels, 56 anos, membro da terceira geração da família e no comando da companhia desde 1989. Para o projeto, o grupo reserva aporte de US$ 12 milhões.O anúncio da filial no Amazonas ocorre pouco mais de um mês após a empresa ter comunicado plano de investimentos de R$ 192 milhões entre 2007 e 2009, que inclui nova fábrica em Três Corações (MG), a quinta da conta, para a produção de rodas de alumínio. A Mangels já tem duas operações na cidade mineira, de rodas e de cilindros, uma em São Bernardo do Campo (SP) de aços laminados e uma em Guarulhos (SP) de serviços de galvanização.A nova unidade está incluída nesse plano e fará chapas para o setor metalúrgico, incluindo fabricantes de peças para motos. ''''Já vendemos para empresas de Manaus e decidimos ficar mais perto para facilitar a logística'''', diz Robert.A Mangels, junto com outras empresas como Sabó, Metagal e Arteb, conseguiu sobreviver à globalização dos anos 90 e manter-se no seleto grupo de grandes grupos de autopeças 100% brasileiros. Em 1996, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Autopeças (Sindipeças), 75,1% das empresas do setor tinham capital nacional ou majoritariamente nacional, participação que caiu para 58,8% em 2006. No grupo das que foram vendidas estão Metal Leve, Cofap, Freios Vargas e Borlem.Nesse cenário, a Mangels não esperou por ofertas. Ao contrário, saiu em busca de parcerias, mas depois optou por fortalecer os negócios no País e manter a empresa criada em 1928 por Max H. Mangels e Heinrich Kreutzberg, imigrantes alemães que vieram ao Brasil após a I Guerra. Nos anos 70, o negócio passou para o comando dos filhos do fundador, Peter e Max Ernest (pai de Robert). Logo depois, a empresa abriu o capital.Da terceira geração da família, só Robert atua diretamente na empresa, onde entrou em 1978, depois de estudar nos EUA e de trabalhar na Xerox. Após enfrentar a abertura radical do mercado nos anos 90, os planos Collor e Real, que, por diferentes razões quase levaram a empresa à bancarrota, Robert colocou a Mangels numa rota de crescimento. Uma das medidas foi o enxugamento de pessoal. O número de empregados caiu de 4 mil para 1,8 mil.Naquele período, o grupo investiu no desenvolvimento de rodas de alumínio e passou a fornecer para as montadoras uma média de meio milhão de unidades ao ano. ''''Conseguimos nos afastar do precipício'''', lembra Robert. Hoje, é a maior fornecedora para a indústria - serão 1,7 milhão de unidades este ano e 2,3 milhões em 2008.As rodas de alumínio representam 32% do faturamento da Mangels, enquanto as peças de aço ficam com 48%, os cilindros com 15% e os galvanizados com 6%. O grupo já exportou em média US$ 50 milhões por ano, mas hoje exporta US$ 20 milhões, por causa do câmbio. Desde 2003 é uma empresa lucrativa. No primeiro semestre, lucrou R$ 17 milhões, mais que o triplo do ganho de todo o ano de 2006. Suas ações na Bolsa valorizaram 200% no período.QUARTA GERAÇÃORobert decidiu que vai se aposentar aos 65 anos, acerto feito com o irmão e a irmã, acionistas do grupo, o pai, que aos 83 anos continua no conselho, a filha, de 25 anos, e o filho, de 27, que moram nos EUA.Até agora, representantes da quarta geração não expressaram decisão de assumir os negócios. ''''Apesar disso, já transmitimos a política de contratação de membros da família, que exige experiência profissional fora do grupo e formação adequada'''', diz Robert. ''''Não é porque tem sobrenome que terá qualquer regalia.'''' Além dos filhos, há dois sobrinhos que também vivem nos EUA.Nos últimos dois anos, o conselho tem se reunido a cada três meses para discutir o futuro da Mangels com uma consultoria especializada em empresas familiares. Embora não descarte o filho no posto, Robert acha que o sucessor poderá ser um executivo de carreira. ''''Somos uma empresa profissional.''''Ao que parece, a sucessão não tira seu sono. ''''Vivemos um momento de satisfação com a empresa como nunca tivemos no passado. Os últimos anos foram os mais tranqüilos e de mais perspectivas.''''

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