Autoridades do Fed discordam sobre eficácia de QE3

Poucos dias depois de o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, lançar uma terceira rodada de compra de títulos para impulsionar a frágil recuperação econômica e diminuir o desemprego, importantes autoridades do Fed discordaram fortemente nesta terça-feira sobre se tal ação irá funcionar.

ANN SA, Reuters

18 de setembro de 2012 | 11h11

O banco central norte-americano afirmou na semana passada que planeja comprar 40 bilhões de dólares por mês em títulos hipotecários até que o mercado de trabalho melhore substancialmente.

Conhecido como QE3 porque se trata da terceira rodada de compra de títulos do Fed conhecido como "quantitative easing", o programa visa a diminuir os custos de empréstimo de longo prazo e, eventualmente, estimular empréstimos, gastos e contratações.

Autoridades do Fed concordam amplamente que o desemprego, em 8,1 por cento, está muito alto; e a maioria acredita que a inflação, que aproximou-se da meta do Fed de 2 por cento, está sob controle.

Mas continua havendo divergências profundas dentro do banco central sobre qual é a melhor resposta de política.

"Eu estou otimista de que podemos atingir resultados melhores por meio de mais acomodação da política monetária", afirmou nesta terça-feira o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, a um grupo de empresários locais em café da manhã patrocinado pelo Bank of Ann Arbor.

Um defensor incansável de mais afrouxamento nos últimos anos, Evans destacou o grande apoio ao QE3 pelo painel de definição de política do Fed --a votação foi 11 a favor e apenas 1 contra, voto do presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker.

"Parece que eu estou um pouco menos fora do consenso do que eu estava antes", disse ele ao grupo.

De fato, o Fed pode fazer mais, disse Evans, incluindo iniciar uma tolerância para políticas que podem produzir inflação levemente mais alta, desde que essas políticas também diminuam a taxa de desemprego.

Poucos minutos antes do discurso de Evans, o presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, um grande oponente de mais afrouxamento, disse que ele teria discordado na semana passada se tivesse direito de voto no painel deste ano.

"Eu argumentaria que isso tem menos impacto agora porque há outras coisas inibindo os empresários de tomarem decisões sobre investimentos e emprego", disse Fisher à rede de televisão CNBC. "Eu não acredito que esse programa terá muita eficácia", acrescentou.

(Reportagem de Ann Saphir em Ann Arbor e Lucia Mutikani em Washington)

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