Autoridades erraram ao permitir alta do euro, diz FMI

O FMI disse hoje que as autoridades monetárias da zona do euro erraram ao encorajar uma alta tão acentuada do euro em relação ao dólar. Em estudo sobre a economia da região, o fundo diz que a alta recente do euro não está fora de sincronia, quando observada a partir da perspectiva de pagamento multilateral ou histórica, e que "até o momento, sua apreciação tem sido de caráter de equilíbrio", provocando queda da inflação. Mas o avanço tão rápido da moeda deve acabar prejudicando os exportadores e trazer risco de "overshooting". Segundo o fundo, são necessárias reformas estruturais para flexibilizar o esclerosado mercado de trabalho e equilibrar os deficitários sistemas de previdência. Isto inclui elevar a idade efetiva para aposentadoria e a busca de inevitáveis cortes na generosidade dos benefícios. O incentivo ao trabalho deve ser fortalecido, disse o fundo. A política fiscal também encontra-se desequilibrada, assinalou o FMI. O fundo apóia as regras européias para os orçamentos, segundo as quais o déficit público deve ser inferior a 3% do PIB.Sugestões A economia na zona do euro deve desapontar pelo terceiro ano consecutivo, sendo necessária uma combinação de reformas estruturais e corte nas taxas de juro para recolocá-la nos trilhos, disse o FMI. O crescimento entre os 12 países que compõem a zona do euro tem "oscilado próximo a 0,75% nos últimos dois anos", destacou o FMI em estudo regular sobre a economia da região. Segundo o fundo, duante os últimos anos, as autoridades monetárias prometeram a retomada do crescimento assim que um ou outro fator externo fosse eliminado. A vitória dos Estados Unidos no Iraque ocorreu e não trouxe a esperada reversão, notou o FMI. De acordo com o fundo, a política monetária está muito apertada. O estudo diz que o risco de inflação - principal argumento do Banco Central Europeu para manutenção do juro - evaporou com "o enfraquecimento do mercado de trabalho, a queda nos preços do petróleo e a recente apreciação do euro". "Vemos uma oportunidade considerável para que o BCE flexibilize sua política monetária", diz o estudo.

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