Autoridades monetárias defendem estabilidade na AL

O aumento da estabilidade e a solidez do sistema financeiro doméstico deve ser o objetivo chave dos países latino-americanos, avaliaram hoje autoridades monetárias européias e latino-americanas, em um comunicado divulgado ao final de um seminário na sede do Banco da Espanha, em Madri. "O uso de instrumentos financeiros cambiais domésticos deve ser fortalecido para reduzir as vulnerabilidades", diz o comunicado. O informe diz também que, apesar de várias crises, os países da América Latina "alcançaram grandes progressos no desenvolvimento de seus sistemas financeiros domésticos, principalmente ao longo da última década?. O processo de integração na América Latina, após as várias crises que atingiram os países da região, "parece ter se desacelerado nos últimos anos". O progresso dessa integração, segundo o comunicado, "será condicionado a uma performance financeira e macroeconômica mais estável", além do fortalecimento das estruturas domésticas institucionais.Para as autoridades presentes ao seminário, há três desafios a serem superados pelos países que adotaram o câmbio flutuante. Para assegurar condições macroeconômicas estáveis, a "a política monetária precisa ser alicerçada por políticas estruturais e regime fiscais sólidos". Além disso, políticas monetárias que visam garantir a estabilidade requerem "apoio institucional na forma de um banco central indepedente e transparente". Por último, "como os regimes cambiais nas economias emergentes podem estar sujeitos à volatilidade e ao desalinhamento, os desdobramentos cambiais e suas expectativas ainda precisam ser levados em consideração." Apesar dessas ressalvas, os participantes do seminário avaliam que a experiência de regimes cambiais flutuantes na América Latina, que em muitos casos são acompanhados de metas inflacionárias, têm sido positiva até agora.Fraga foi o principal palestrante da sessão do seminário dedicada a políticas monetária e cambial e essa parte do comunicado final deve ter refletido boa parte de suas ponderações. O comunicado não cita nenhum país específico, embora a crise argentina tenha sido um dos principais assuntos debatidos entre os participantes do evento, que foi fechado ao público e a imprensa.Durante entrevista coletiva após o seminário, o governador do Banco da Espanha, Jaime Caruana, disse que a Argentina precisa "adotar um programa econômico que gere suficiente credibilidade tanto externa como interna". Já o governador do Banco Central do México, Guillermo Ortiz, se limitou a dizer que a crise argentina "serve como uma lição para todos os países da América Latina".

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