Autos: venda em consignação em baixa

A venda de um automóvel usado em consignação, com poucas exceções, encontra barreiras entre os concessionários autorizados das diversas marcas na capital. São poucos os distribuidores dispostos a aceitar esse tipo de negócio e muitas as exigências. Com isso, os consumidores acabam tendo que optar por deixar seu carro em lojas independentes, normalmente menores e espalhadas pelos bairros, sem o mesmo giro de pessoas interessadas, o que acaba acarretando um tempo maior de espera pela comercialização do bem.Em pesquisa realizada na semana passada, das 30 concessionárias de 11 marcas diferentes consultadas apenas oito deixaram aberta a possibilidade de aceitar a consignação e desde que envolvessem veículos seminovos da própria marca. Em quatro delas o acordo ainda dependeria do modelo a ser vendido, não podendo haver um similar já em exposição.Os revendedores Volkswagen, Fiat, Ford, Citroën, Honda, Peugeot e Renault pesquisados garantiram que os estoques de usados estavam lotados, portanto descartando a consignação nesse momento, ao contrário de lojistas Audi, BMW, Chrysler e Chevrolet, que aceitaram avaliar o veículo. Os vendedores das quatro marcas foram unânimes em destacar que o carro deveria estar em perfeito estado de conservação. "A consignação está aberta a qualquer cliente, mas não para qualquer carro", avisa Oswaldo Caldeira, gerente de vendas da GM Pompéia.As restrições têm uma razão, uma vez que um carro em consignação é comercializado como se fosse um produto da própria loja, inclusive com emissão de nota fiscal da venda, o que implica em garantia de documentação e do bom funcionamento do carro, com base no Código de Defesa do Consumidor, diferentemente do que ocorre na transação entre particulares. Além dessa vantagem, quem compra vê aberta também a opção de poder financiar o bem ou parte de seu valor.Para o consumidor que deixa o carro em consignação, o benefício é poder conseguir um preço mais alto na venda, livre de obrigações, como mostrá-lo aos interessados, além da certeza de que receberá o dinheiro. O risco que se corre é ter de esperar pela venda, que pode levar várias semanas.ContratoA regra não é fixa, mas as revendas que aceitam a consignação exigem um contrato mínimo de um mês para sua exposição, embora, nesse período, o cliente possa cancelar o acordo sem ônus. Depois desse tempo, há chance também de prorrogá-lo. O mais comum é o cliente fixar com o vendedor um preço final. Concluída a transação, o intermediário fica com uma parte do arrecadado, algo entre 4% e 8%.A consignação é uma operação de características peculiares, pois envolve três partes, o remetente (consignante), o recebedor (consignatário) e o efetivo adquirente. Ela saiu da informalidade nos últimos meses, quando a emissão de nota fiscal de entrada e saída do automóvel se tornou exigência - era evitada para que não se pagasse os impostos em torno de 3,5%. A maior dificuldade que os lojitas encontram é convencer o vendedor sobre o valor a ser fixado. "Se o dono pede acima do mercado nem aceito o carro", diz Caldeira.

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