coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Avaliação da ONS sobre energia é alerta para o governo, diz Parente

O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, afirmou que o anúncio, feito pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), de que há risco de nova crise energética é um sinal para que as autoridades, principalmente o Ministério de Minas e Energia, continuem a política de aumento da oferta de energia no País. Segundo ele, sendo detectado em um prazo hábil, o risco é menor, pois há tempo de incentivar novos investimentos. "Falamos de um prazo de quatro anos até 2006, o que permite a tomada de medidas", afirmou, após almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro. O ONS diz, em seu planejamento da operação, que dependendo das chuvas, o País pode passar por nova crise de abastecimento em 2006.RessarcimentoOs cerca de R$ 7 bilhões entregues às empresas de energia elétrica a título de ressarcimento pelas perdas do racinamento foram necessários para garantir investimentos no aumento da oferta de energia. A afirmação foi feita pelo ministro-chefe da casa Civil, Pedro Parente, que também ocupa o cargo de presidente da Câmara de Gestão da Crise Energética. Segundo ele, os prejuízos para a população, que já paga o ressarcimento na conta de eletricidade, são de curto prazo, mas evitarão prejuízos maiores no futuro. "Temos que fazer uma distinção entre o interesse da população no curto prazo e o interesse da população no longo prazo", afirmou. Segundo ele, os estudos que determinaram o valor a ser pago, tendo como parâmetro um crescimento estimado de 6% no consumo de energia no ano passado, foram feitos com o apoio de técnicos da Eletrobrás. "Não sou técnico e por isso não posso contestar estes estudos", disse. O ressarcimento é alvo de críticas de opositores, que alegam que o governo está transferindo recursos às multinacionais do setor. PetrobrasParente disse também que propor que a Petrobras reduza o preço dos combustíveis é querer que ela pratique dumping. "O que todos desejam é a competição e ela só vai ocorrer se a Petrobrás estiver alinhada com o mercado externo", afirmou. Segundo ele, a liberação dos preços é determinada por uma lei, que tem que ser seguida. O ministro defendeu os lucros da empresa com a venda, a preços internacionais, de um produto produzido a preços locais. ?Quando a Petrobras tem lucro, é em benefício dos mais de 300 mil acionistas, do governo, e portanto de toda a sociedade, e dos investidores estrangeiros que acreditaram na manutenção das regras". Parente evitou comentar a idéia de reajustes mais frequentes nos preços dos derivados de petróleo.PreocupaçãoPara Parente, o programa de energia do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, preocupa, por prever uma maior presença do Estado nos investimentos no setor. "Ainda não analisamos a fundo, mas a primeira impressão é que é muito fortemente baseado no investimento estatal, e isso me preocupa", afirmou. Segundo Parente, que preside a Câmara de Gestão da Crise Energética (GCE), não há recursos disponíveis para fazer os investimentos e o programa prega um modelo que no passado não funcionou. Durante almoço na Associação Comercial do Rio, ele fez uma explanação sobre os resultados de oito anos de governo Fernando Henrique Cardoso. Citou avanços na área econômica, na educação e na saúde, sem citar porém, as taxas de emprego e renda. "Se dependesse só do governo, certamente teríamos crescimento superior a 4,5%, 5%. Mas tivemos uma série de choques externos e internos que dificultaram", afirmou, destacando que não vê espaço para políticas que ponham fim à estabilidade econômica. Parente disse que o principal desafio para os próximos anos é aumentar as exportações. No fim, em entrevista a jornalistas, disse que o candidato governista, José Serra, é a melhor opção. "Vou votar nele".

Agencia Estado,

24 de maio de 2002 | 16h02

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.