Avaliação do governo preocupa mercado

Ontem foi divulgada a ata da última reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no dia 21, quando foi decidida a elevação da Selic, a taxa básica referencial da economia, de 15,25% para 15,75% ao ano. Também foi trazido ao público o memorando técnico de entendimento da sétima revisão do acordo de ajuda financeira do FMI ao Brasil.Ambos os documentos preocuparam os investidores, pois indicam que veio para ficar a alta do dólar e dos juros. As estimativas do governo foram revistas, piorando a situação das contas externas brasileiras. Prevêem-se agora que os investimentos estrangeiros diretos fiquem cerca de US$ 2,4 bilhões mais baixos para uma necessidade de divisas US$ 1 bilhão maior, para cobrir o déficit de transações correntes.Com menos dólares no mercado, não é razoável esperar uma recuperação significativa das cotações, que devem pressionar a inflação. A conseqüência é que os juros devem manter-se mais altos para conter a atividade econômica, freando as importações ao mesmo tempo que atraem mais capital estrangeiro. Logo mais, às 8h, o Banco Central divulga o Relatório de Inflação referente ao primeiro trimestre de 2001. Estados Unidos e Argentina ainda provocam cautelaO cenário internacional continua muito instável, reforçando as oscilações do mercado brasileiro. A desaceleração da economia norte-americana está afetando fortemente os resultados das empresas. Como elas começaram a divulgar as previsões para o segundo trimestre do ano em níveis mais baixos que o esperado, suas ações estão se desvalorizando. É verdade que a política de queda de juros do Fed - banco central dos EUA - começa a surtir efeito nos mercados financeiros, com valorização de papéis de empresas mais tradicionais, mas o pessimismo e a cautela ainda predominam.Na Argentina, a aprovação de poderes especiais para o ministro da Economia, Domingo Cavallo, pelo Senado foi vista como um sinal positivo, mas as dificuldades do país não são pequenas. Ainda não se sabe se o pacote econômico de Cavallo surtirá o efeito desejado e falta muito para a Argentina recuperar a credibilidade com os investidores.

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