Avaliada em R$ 1 bi, carteira de grandes riscos do Itaú está prestes a ser vendida

Na reta final. Com a saída da japonesa Tokio Marine na semana passada, disputa pela operação de seguros de grandes riscos do banco brasileiro está entre a francesa Axa, a alemã HDI e a americana Ace; negociações devem ser concluídas neste fim de semana

ALINE BRONZATTI, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2014 | 02h04

As negociações para a venda da carteira de seguros de grandes riscos do Itaú Unibanco chegaram na fase final e devem ser concluídas neste fim de semana, segundo apurou o 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado'. Para a última etapa da disputa, conforme fonte com conhecimento no assunto, ficaram a francesa Axa, a americana Ace e a alemã HDI. A japonesa Tokio Marine saiu da concorrência na semana passada, segundo fontes de mercado.

Na reta final, o que deve fazer a diferença para o vencedor é o apetite financeiro de cada concorrente. As propostas giram em torno de R$ 1 bilhão. Em jogo está uma carteira de cerca de R$ 1,8 bilhão em prêmios, lucro anual entre R$ 45 milhões e R$ 65 milhões, conforme fonte, e que reúne clientes de peso como Petrobrás, Vale, Odebrecht e outros.

Apostas. Há várias apostas sobre quem será o novo dono da carteira de grandes riscos do Itaú. Nos últimos dois meses, o nome da HDI, do grupo alemão Talanx, ganhou força. A seguradora atua preferencialmente com seguros de automóveis no País e poderia, ao adquirir este ativo, adaptar sua operação no Brasil ao perfil adotado no resto do mundo, com foco em riscos industriais.

Já a Axa, que está se estruturando para retomar operações no Brasil, foi tida como favorita pelo mercado, uma vez que ao comprar a carteira do Itaú poderia acelerar sua startup. O plano da empresa é ter uma seguradora e uma resseguradora local. Ace, nome menos comentado, também teria potencial para fazer frente às concorrentes.

Além do impulso na carteira de grandes riscos - o Itaú tem hoje cerca de 18% de participação nesse segmento -, o vencedor levará também a equipe, conforme fontes, exceto Vanderlei Ravazzi, que já foi contratado pela francesa Axa.

Time. A inclusão da equipe do Itaú no negócio, segundo fonte, tem como objetivo não desfigurar a carteira após mudar de mãos. Essa foi, inclusive, uma das preocupações dos concorrentes durante as tratativas. Isso porque existia um temor entre os candidatos de perda de clientes depois da troca de comando da operação.

Apesar disso, o interesse do mercado pela carteira de grandes riscos do Itaú foi grande. Durante o processo de negociação, outras seguradoras como a japonesa Yasuda, a canadense Fairfax, a alemã Allianz, a suíça Swiss Re, e o XL Group, com sede em Bermudas, também teriam participado, de acordo com fontes.

No fim de abril, em teleconferência para comentar os resultados do primeiro trimestre, Marcelo Kopel, da área de relações com investidores do Itaú, disse que o banco esperava ter novidades em relação à venda da sua carteira de seguros de grandes riscos dali dois ou três meses. "O processo está avançando. Tem companhias mais interessadas que outras no começo, mas ainda não temos nada para anunciar", afirmou ele, na ocasião.

Confirmação. A venda da carteira foi confirmada pelo banco, em comunicado ao mercado, em janeiro. Em 13 de dezembro de 2013, o Broadcast havia antecipado este desejo do Itaú, em linha com a sua estratégia de atuar em segmentos de menor risco. Procurado, o Itaú Unibanco não comentou sobre o andamento das negociações. HDI, Axa, Ace e Tokio também não se pronunciaram.

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