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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Avalie a aplicação em fundos ativos

As seguidas reviravoltas no mercado financeiro deixam o investidor inseguro e pouco à vontade ao lançar-se à tentativa de acertar a mais rentável entre as diversas aplicações disponíveis no mercado. Uma hora o apelo está no mercado de ações, no momento seguinte no de dólar, noutro no de juros, e assim por diante. Mas mudar afoitamente de aplicação fortalece o risco de perda e, ademais, perde-se 0,38%, com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a cada mudança.Foi aí que apareceram os fundos multimercados, os renda fixa multiíndices e os de carteiras ativas de ações. Neles, cabe ao gestor fazer a migração interna para os diversos ativos, de acordo com as conveniências e oportunidades de cada momento.Os multimercados, que podem ter em sua carteira títulos de renda fixa, ações e derivativos, foram as estrelas de 2001, com ganho médio de 15,06%, acima dos renda fixa e DI. Os fundos de renda fixa multiíndices, cujas carteiras acolhem títulos pré e pós-fixados e títulos indexados à inflação, têm atraído volume crescente de depósitos neste início de ano e já representam mais de 10% da indústria de fundos.O professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) William Eid Junior tem restrições a esses fundos. Segundo ele, o histórico não é favorável aos multimercados. Eid Junior explica que, por carregarem sempre mais de um ativo, esses fundos nunca obtêm rentabilidade máxima.A aptidão do gestor é determinante no desempenho dessas carteiras, diz. Com base no banco de dados da FGV, o professor mostra que, entre as 52 carteiras de ações ativas abertas a qualquer investidor, de julho a janeiro, 15 foram pior que o Ibovespa, referência desses fundos. Daí por que conclui que o rendimento acima da média está concentrado em poucas carteiras.Mauro Halfeld, economista e professor da Universidade Federal do Paraná, diz que nem mesmo o gestor mais competente acerta a hora certa de pular de um ativo para outro. "O investidor deve escolher seus ativos baseado em estudos de risco e retorno sérios e permanecer com eles por algum tempo."Wagner Murgel, diretor de Asset Management do JP Morgan, afirma que o investidor que quiser acompanhar o movimento do mercado poderá ter mais sucesso aplicando parte do capital em fundos ativos, principalmente pelo drible na CPMF. "Assim também, o aplicador delega a gestão a profissionais mais capacitados para avaliações, com mais agilidade ao trocar os papéis da carteira e mais tempo disponível para avaliar o mercado."

Agencia Estado,

04 de março de 2002 | 15h05

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