Avança negociação de dívida nos EUA

Obama e líder republicano estariam perto de acordo, segundo o NYT; Casa Branca nega

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2011 | 00h00

Em mais um esforço para evitar a declaração de default pelo governo no dia 3 de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama iniciou um diálogo com o líder do partido Republicano, capaz de promover uma rápida tramitação do eventual acordo bipartidário. Segundo o New York Times, o acordo está próximo. A Casa Branca nega.

Obama reuniu-se na noite de quarta-feira com o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, conforme informou ontem a Casa Branca aos líderes democratas do Congresso. Ambos estariam trabalhando a ideia de um pacote para reduzir em US$ 3 trilhões a dívida americana nos próximos dez anos. O passivo do governo dos EUA soma hoje US$ 14,3 trilhões, quase 100% do PIB.

Ontem, não havia clareza sobre a iniciativa Obama-Boehner: se seria uma nova proposta - entre as outras três em curso - ou se seria uma articulação para favorecer o projeto da "Gangue dos Seis", formulado por senadores democratas e republicanos e recebido positivamente pela Casa Branca e pelo presidente da Câmara. Entretanto, as conversas teriam girado em torno de um ajuste fiscal menos profundo do que o previsto na proposta da Gangue dos Seis, de corte de US$ 3,7 trilhões na dívida pública ao longo da próxima década.

Obama e Boehner teriam discutido também alguns detalhes delicados, como uma possível reforma tributária em 2012, como meio de aumentar a arrecadação, e mudanças na Previdência Social e nos programas de assistência médica para famílias carentes, idosos e deficientes, de forma a reduzir os seus custos. Na área tributária, Obama e Boehner discutiram a possível redução de alíquotas para pessoas físicas e jurídicas, o fim de brechas para a evasão e a eliminação dos atuais benefícios para os contribuintes com renda superior a US$ 250 mil ao ano - medida aprovada por Obama em dezembro passado e, em princípio, válida até o final de 2012.

Ambos os lados negaram as conversas entre Obama e Boehner, confirmadas extraoficialmente por líderes dos dois partidos. Tanto Obama quanto Boehner temem rebeliões em suas bases no Congresso contra o acordo. Republicanos são contrários à elevação da carga tributária, sobretudo para os mais ricos, e democratas opõem-se a reduções nos benefícios dos programas sociais. Questionado sobre as negociações, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou "não haver acordo". O porta-voz de Boehner, Kevin Smith, seguiu na mesma linha.

Líderes democratas insistiram na iminência de um acordo ainda ontem. Até as 19h30 (horário de Brasília), Obama estava reunido com os quatro líderes democratas no Congresso. No mercado, a aposta está na conclusão de um pacote até o dia 2 de agosto, para evitar a declaração de default - o primeiro da história americana. Segundo Thomas Simons, da corretora Jefferies & Co, de Nova York, o jogo se mostra volúvel, com propostas diferentes sobre a elevação do teto da dívida e o plano de longo prazo para a sua redução e o equilíbrio das contas públicas dos EUA. "Só vou acreditar no acordo quando estiver impresso em machete do New York Times", afirmou. "A grande questão continua a ser o plano fiscal para a redução da dívida. Tanto quanto a elevação do teto da dívida, ela será fundamental para evitar a queda na classificação de risco soberano dos EUA."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.