Avançam as negociações para a união entre Marfrig e Bertin

Empresas estão em conversações para unir suas áreas de alimentos, com a provável participação do BNDES

Alexandre Inacio e Alexandre Calais, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

As negociações entre os frigoríficos Marfrig e Bertin em relação à fusão de suas operações estão avançadas, e a conclusão do negócio pode até ser anunciada nos próximos dias. Pelo que vem sendo desenhado, será criada uma holding para controlar a nova empresa - que vai unir apenas as áreas de alimentos dos grupos. Bertin e Marfrig terão participações praticamente iguais nessa holding, mas o Marfrig ficará responsável pela gestão, que será profissionalizada. A holding pode ter também a participação do BNDES, que já tem uma fatia acionária dos dois frigoríficos. Por ter um porte maior, o Bertin ficaria com uma participação superior à do Marfrig no capital total da nova empresa. Segundo uma fonte, o BNDES pode injetar um total de cerca de R$ 3 bilhões para viabilizar a operação, provavelmente numa emissão de ações parecida com a que está planejada na fusão entre Sadia e Perdigão.Procurado, o Marfrig informou que não existe nada fechado até o momento, mas que as conversas entre as duas empresas ainda são mantidas. Na mesma linha, o grupo Bertin disse que mantém conversas no âmbito comercial, mas nada relacionado à aquisição de uma empresa pela outra. Em sua última nota divulgada à imprensa, o Marfrig confirmou a existência de tratativas com o Bertin, mas disse que não existia nenhum acordo entre as duas partes. "A Marfrig Alimentos S/A continua a manter sua política de crescimento orgânico baseada em uma posição financeira conservadora, alicerçando seu crescimento na consolidação e integração das empresas adquiridas nos últimos anos", dizia a nota.De acordo com uma fonte, a união entre as duas empresas seria uma "recomendação" do BNDES, para evitar que o Bertin enfrente dificuldades financeiras mais graves e que corra o risco de ser vendido a uma empresa estrangeira. O endividamento do Bertin aumentou de forma expressiva desde setembro do ano passado com a piora do quadro econômico internacional por conta da crise financeira. Além disso, um outro motivo que estaria estimulando o negócio com a área de alimentos é o resultado do setor em relação às outras atividades do grupo. Apesar de o frigorífico representar a origem dos negócios da família Bertin, sendo base para sua entrada em outros setores, ele não estaria apresentando resultados semelhantes aos de áreas como construção, saneamento e energia, entre outros.Aliado a esse cenário, a situação do grupo Bertin foi agravada nas últimas semanas. A empresa passou a ser investigada pelo Ministério Público Federal em um caso de aquisição de animais criados em áreas de desmatamento da Amazônia. Outro recente fato negativo que pesou contra o grupo foi a rescisão do contrato com o Banco Mundial, na qual o Bertin deixou de receber uma parcela de US$ 30 milhões e terá de devolver outros US$ 60 milhões de um contrato firmado em 2007. De acordo com o Bertin, o motivo para a rescisão foi o agravamento da crise econômica, que atingiu o agronegócio brasileiro e fez com que a empresa decidisse rever a velocidade de aplicações dos investimentos planejados. "Em decorrência dessa nova realidade, a Bertin e a IFC resolvem, de comum acordo, descontinuar a parceria", disse o grupo, em nota.

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