Avanço da inflação eleva patamar de famílias endividadas em fevereiro

Segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, 65,3% dos consumidores brasileiros declararam-se endividados

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2011 | 12h38

O avanço da inflação no início deste ano ajudou a elevar o patamar de famílias endividadas em fevereiro, na avaliação do economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Bruno Fernandes. Hoje, a CNC divulgou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor de fevereiro, que ouviu 17.800 consumidores no País - sendo que 65,3% declararam-se endividados, o maior patamar da série da pesquisa, iniciada em janeiro de 2010.

Fernandes explicou que o cenário de preços altos ajudou a elevar o custo de material escolar e de mensalidades escolares, cujas despesas são realizadas no início do ano letivo, e têm preços ajustados com base na inflação. Com os preços mais caros, isso acabou elevando o nível de endividamento do consumidor, que tem mais dificuldade de efetuar as compras. Além disso, ele lembrou que o valor do IPVA, também pago normalmente no início do ano, depende do valor do carro, que também ficou mais caro em 2011.

Outro ponto destacado pelo especialista foi fato de que o consumidor brasileiro ainda carrega um patamar de dívidas muito elevado, referente ao ano passado. Ele lembrou que o ano de 2010 mostrou o comércio extremamente aquecido, com o varejo apresentando o melhor desempenho desde 2001 - e as compras a prazo contribuíram muito para o resultado do ano passado. "O consumidor ainda tem muitas dívidas relacionadas ao ano passado, e ainda 'carrega' isso este ano", afirmou.

Porém, o especialista não acredita que o patamar de famílias endividadas continue elevado, na mesma magnitude apurada em fevereiro, ao longo de 2011. Isso porque as medidas anunciadas pelo governo de restrição à oferta de crédito, além da perspectiva de juros elevados este ano, deve diminuir o volume de compras a prazo do brasileiro. Com o provável recuo no volume de compras a prazo este ano, ante ano passado, isso deve ajudar a diminuir o patamar de famílias endividadas em 2011, na avaliação do especialista.

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