Avanço de Ciro faz caírem títulos de emergentes

Os preços dos títulos da dívida de países emergentes caíram forte em Nova York nesta sexta-feira, pressionados por uma nova liqüidação de bônus brasileiros. A eleição presidencial no Brasil mais uma vez foi a vilã do mercado, com o nervosismo sendo exacerbado pelos números da mais recente pesquisa do Ibope, que revelou o aumento do apoio dos eleitores ao candidato da Frente Trabalhista, Ciro Gomes.O spread de retorno da porção Brasil no índice EMBI+ do JP Morgan aumentou em 78 pontos-base, para 1.965 pontos sobre os Treasuries comparáveis. Em meio a operações voláteis, os C-bonds caíram 3 5/8, para 55 3/4 cents por dólar (preço de oferta). "Havia uma quantidade razoável de grandes operações em C-bonds", disse um trader de Nova York, acrescentando que muitas das operações foram feitas por "contas especulativas".De acordo com o Ibope, Ciro Gomes consolidou-se na segunda colocação da corrida presidencial, subindo de 22% para 26% das intenções de voto, enquanto o candidato governista, José Serra, caiu de 15% para 13%. As dificuldades do Brasil continuaram a contaminar o restante do mercado, com o spread do índice EMBI+ geral aumentando em 17 pontos-base, para 913 pontos-base sobre os Treasuries comparáveis.Os eurobônus da Rússia para 2030 caíram cerca de 1 1/4, para 66 7/8 cents por dólar (preço de oferta), falhando em capitalizar a elevação do rating de B+ para BB- pela Standard & Poor´s. Os bônus globais do Equador para 2012 perderam 1 1/4, para 60 cents por dólar (preço de oferta), diante da redução da perspectiva de o país assinar um novo acordo de crédito "stand-by" de US$ 240 milhões com o FMI.A Merrill Lynch disse que "as chances de um acordo entre Equador e o FMI estão próximas de zero"."Apesar dos intensos esforços do ministro de Finanças do Equador, Francisco Arosemena, e a disposição mais pró-ativa do FMI, o aumento dos salários públicos debilitou a conta fiscal além da razão", disse o banco de investimentos.A S&P rebaixou os ratings de crédito soberano do Uruguai de "BB -" para "B". "O rebaixamento dos ratings e a perspectiva negativa refletem a contínua pressão sobre o sistema financeiro do Uruguai, e as mudanças políticas resultantes apresentam um desafio para o novo ministro de Finanças e para a nova diretoria do Banco Central", disse a analista Lisa M. Schineller, da S&P.Em operações sem liqüidez, os bônus globais do Equador para 2012 caíram 5 pontos, para 33 cents por dólar (preço de oferta). Os bônus colombianos foram pressionados pela nova queda acentuada do peso, para 2.600,00 por dólar. Os bônus globais colombianos para 2012 despencaram 4 pontos, para 83 cents por dólar (preço de oferta).

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