Kazuhiro Nogi/AFP
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Mercado teme coronavírus e Bolsas desabam pelo mundo; dólar tem alta

Após alerta da OMS, investidores temem os impactos na economia global de uma epidemia com epicentro na China; Ibovespa cai 3,29%, maior queda em dez meses, e valor da moeda dos EUA chega a R$ 4,2098, maior cotação desde 2 de dezembro

O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 10h41
Atualizado 27 de janeiro de 2020 | 21h10

O temor com o impacto do coronavírus na economia global derrubou as Bolsas e os preços das commodities em todo o mundo ontem. No Brasil, o Ibovespa (que reúne as ações mais negociadas na Bolsa de São Paulo) recuou 3,29%, a maior retração desde 27 de março de 2019. O índice, que havia batido recorde duas vezes na semana passada, fechou a 114,5 mil pontos. Em meio a uma onda de aversão ao risco, com os investidores procurando refúgio no dólar, a moeda americana subiu 0,60% e encerrou o dia cotada a R$ 4,2098 – o maior valor desde 2 de dezembro.

No exterior, a Bolsa de Londres fechou em baixa de 2,29% e a de Frankfurt de 2,74%. Em Nova York, o índice Dow Jones retrocedeu 1,57%, o Nasdaq cedeu 1,89% e o S&P 500 recuou 1,57%. Entre as commodities, o barril de petróleo tipo Brent caiu 1,94% e ficou em US$ 59,32.

Vários países, incluindo a China, já confirmaram casos de coronavírus, com o epicentro da epidemia no país asiático – dezenas de mortes já foram registradas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) retificou sua avaliação sobre a doença, elevando o risco de “moderado” para “elevado”, e Pequim estendeu o feriado do ano-novo chinês por mais três dias com a intenção de conter a disseminação da doença. Os mercados no país ficarão fechados, portanto, até 2 de fevereiro. 

Com o prolongamento do feriado, a suspensão de viagens turísticas em grupos e os chineses evitando sair às ruas, o Produto Interno Bruto (PIB) da China pode diminuir em 0,8 ponto porcentual neste primeiro semestre, segundo cálculos do banco dinamarquês Danske Bank. Em relatório, a instituição diz que a Província de Hubei, epicentro da doença, representa 4% da economia chinesa.

Segundo a análise, o setor de serviços deve ser o mais atingido. Além disso, o varejo também será afetado, mas o impacto deve ser mitigado pela relevância das vendas online. “As pessoas ficarão em casa, não irão ao cinema, a shows, a restaurantes e vão reduzir viagens”, destaca o documento.

O banco avalia ainda que o governo chinês tentará atenuar os efeitos do vírus com estímulo monetário. Segundo a instituição, o surto representa um evento sem precedentes porque a China de hoje é uma economia integrada ao resto do mundo. “As incertezas estão aumentando para os chineses e, portanto, para a economia global e os mercados financeiros”, afirma.

Já o banco americano Brown Brothers Harriman disse que o surto pode prejudicar a recuperação das economias asiáticas. “A região está apenas começando a se recuperar das tensões comerciais globais e agora deve lidar com o que provavelmente será uma queda acentuada no turismo.” No Brasil, um impacto de médio prazo depende ainda do alcance da epidemia. /ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA e LUÍS EDUARDO LEAL

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