Avanço menor de preços industriais leva a taxa menor nos IGPS

A segunda prévia do IGP-M passou de 1,03% para 0,89% de setembro para outubro, influenciada pela perda de força da inflação industrial no atacado (de 0,82% para 0,10%) no mesmo período

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

20 de outubro de 2010 | 13h42

Mais uma vez, o avanço mais fraco de preços no setor industrial atacadista levou a uma taxa menor dentro da família dos Índices Gerais de Preços (IGPs), apurados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A segunda prévia do IGP-M passou de 1,03% para 0,89% de setembro para outubro, influenciada pela perda de força da inflação industrial no atacado (de 0,82% para 0,10%) no mesmo período. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros, há um "movimento de desaceleração de preços" nos produtos pesquisados para cálculo do IGPs, que tende a se aprofundar nas próximas apurações.

Quadros explicou que, assim como ocorreu nas divulgações de IGPs anteriores, a fundação tem detectado um movimento de quedas e desacelerações de preços motivadas pelo dólar fraco, principalmente no setor industrial do atacado - onde existem vários exemplos de produtos cujas oscilações de preços são muito atreladas à cotação da moeda norte-americana.

Além disso, o especialista lembrou que os preços das commodities industriais no mercado internacional têm subido menos, o que pode ter ajudado a reduzir a inflação de alguns itens, dentro do setor industrial atacadista. "Não podemos nos esquecer também do minério de ferro", acrescentou. Ele citou o produto que, durante meses, foi uma das principais contribuições para o avanço das taxas dos IGPs, devido ao reajuste trimestral de preços promovido pela Vale - mas que agora atua de maneira contrária, ajudando a conter o avanço da inflação no atacado, com queda de 3,68% na segunda prévia do IGP-M de outubro, visto que o impacto do reajuste já foi captado pelo indicador.

No entanto, o especialista fez uma ressalva. Embora algumas matérias-primas agropecuárias tenham subido menos de preço no atacado, o que contribuiu para a redução da inflação das matérias-primas brutas no atacado (de 3,70% para 2,13%), ainda existem alguns avanços de preços significativos no setor agrícola. Tanto que a inflação agropecuária, como um todo, deu um salto (de 3,47% para 4,41%) da segunda prévia de setembro para igual prévia em outubro. O destaque absoluto é o comportamento do feijão em grão, cuja taxa de variação de preços saiu de uma queda de 2,57% para um aumento de 44,11%, da segunda prévia de setembro para igual prévia em outubro. "O feijão sofre com redução de oferta no mercado doméstico, devido a uma quebra de safra. Pode até subir um pouco mais, mas eventualmente vai acabar cedendo (a inflação do produto)", disse, acrescentando que a inflação no atacado poderia ter sido mais fraca, na segunda prévia de outubro, não fosse o comportamento do feijão.

Sem fazer previsões numéricas específicas, o analista reiterou que, de uma maneira geral, a segunda prévia do IGP-M pode sinalizar uma taxa abaixo de 1% para o fechamento do indicador este mês. Ele comentou, porém, que isso não é uma "certeza" visto que a inflação do feijão pode se tornar mais intensa até o fechamento do indicador, elevando assim a inflação das matérias-primas agropecuárias.

"O comportamento de algumas matérias primas agropecuárias, como o feijão, pode até atrasar um pouco a ocorrência de taxas de IGPs abaixo de 1%, mas em algum momento elas vão ocorrer", disse, acrescentando que o movimento de desaceleração de preços nos IGPs tende a se aprofundar no atacado.

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