Aversão a risco transforma dívida de países como Brasil e México em refúgios

Em cenário de crise, dívidas de emergentes  são beneficiadas por níveis de endividamento mais baixos, políticas estáveis e perspectivas de crescimento melhores

Talita Fernandes, especial para Agência Estado,

25 de julho de 2012 | 19h52

NOVA YORK - Os títulos dos governos de países emergentes estão se tornando mais atrativos nos últimos meses e se aproximando de uma semelhança ao Tesouro norte-americano - ainda que com juros mais elevados -, dando cada vez mais sinais de são locais seguros para investimentos.

Em um cenário de crise na zona do euro e de baixo crescimento em vários países do mundo, dívidas soberanas denominadas em dólar emitidas por países emergentes como México e Brasil são beneficiadas também por níveis de endividamento mais baixos, políticas estáveis e perspectivas de crescimento melhores dos que as apresentadas por países da Europa e pelos Estados Unidos. Os bônus em dólar desses dois países têm acompanhado o movimento dos Treasuries. Assim como os bônus americanos, os títulos desses países vêm subindo ao mesmo tempo em que os bônus dos governos da Espanha e de outras economias europeias em dificuldades estão em queda - com o respectivo movimento inverso dos yields (taxa de retorno ao investidor) correspondentes.

A correlação entre os títulos de 10 anos dos EUA e do México é de 0,89, em um período de 30 dias, de acordo com a consultoria CQG. Uma relação como essa significa que esses bônus não têm variado entre si. O prêmio de risco da dívida soberana da Colômbia encolheu de 191 pontos-base sobre os Treasuries no início deste ano para 163 pontos-base atualmente, de acordo com o EMBI Global do JP Morgan. Embora a forte performance sinalize que os mercados não entraram totalmente em pânico, também revela que os bônus denominados em dólar de países com grau de investimento, como Brasil e México, estão despontando como um refúgio dentro da classe de ativos de mercados emergentes.

Brasil, México e Colômbia - todos com grau de investimento - são os principais países citados por analistas e investidores como mercados emergentes seguros. Ainda que esteja ligeiramente abaixo da classificação de grau de investimento, as Filipinas são outra aposta segura, já que investidores locais investem em títulos do governo denominados em dólar. "Os prêmios de risco sugerem que países como Brasil, Colômbia, Filipinas e até a Indonésia são mais seguros do que aqueles como a Espanha", confirma David Spegel, especialista em estratégia de mercado emergente do ING, em Nova York.

Em 2012, fundos de mercados emergentes que investem em títulos denominados em dólar atraíram US$ 18 bilhões em recursos novos, quase três vezes mais do que os fluxos para fundos que investem em bônus denominados em moeda local, de acordo com EPFR Global, que monitora fluxos para mercados emergentes. O prêmio de risco da dívida soberana de mercados emergentes denominada em dólar também encolheu de 426 pontos-base no final de 2011 para 370 pontos-base sobre os Treasuries, segundo o EMBIG do JP Morgan. As informações são da Dow Jones.

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