Aversão ao crédito acentua a fragilidade da economia

Pioraram, sob qualquer medida de avaliação, as condições da oferta de crédito em abril, segundo o Banco Central. Com juros e spreads (diferença entre o custo de captação e o custo de aplicação) mais altos, exigências de garantia maiores e temor de inadimplência, cresce a aversão aos empréstimos por pessoas físicas e empresas - em relação a março, o estoque de crédito cresceu apenas 0,1%, de R$ 3,059 trilhões para R$ 3,061 trilhões, enquanto as concessões de crédito caíram 6,6%. Como porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB), o crédito caiu de 54,8% em março para 54,5% em abril.

O Estado de S.Paulo

29 Maio 2015 | 02h03

Somando as operações com recursos livres e direcionados, os saldos de crédito às pessoas físicas aumentaram 0,6% no mês e 12,1% em 12 meses. Já para as pessoas jurídicas, houve queda de 0,4% no mês e alta de apenas 9% em 12 meses. Esses números incluem juros de operações em curso, mas, quando se observam só as concessões - em tese, créditos novos -, houve queda mensal de 8,3% nas operações com empresas e de 5%, com pessoas físicas.

Foi generalizado o aumento do custo das operações: entre março e abril, em média, de 18,1% ao ano para 18,5% ao ano, para empresas, e de 33,2% para 33,9% ao ano, para pessoas físicas.

Os juros subiram nas operações livres e direcionadas, mas a distância entre elas é enorme e explica por que a demanda só tende a crescer nas linhas direcionadas. Nestas, os juros médios foram de 9% ao ano para empresas e de 8,4% ao ano para pessoas físicas. E com recursos livres as empresas pagaram em média 26,6% ao ano e as pessoas físicas, 56,1% ao ano. Por exemplo, a taxa média do BNDES para capital de giro foi de 9,3% ao ano, caindo para 8,9% ao ano no financiamento de investimentos e para 6,2% ao ano no financiamento agroindustrial.

O tratamento favorecido aos tomadores de crédito direcionado pode onerar o Tesouro, dificultar o ajuste fiscal e reduzir o poder de competição dos que pagam juros de mercado, bem mais altos. A correção dos erros de política econômica dos últimos anos recai desigualmente sobre os tomadores de crédito, ajudando a explicar a aversão aos empréstimos. Em 12 meses, a procura do consumidor por crédito caiu 10,2%, segundo a Boa Vista SCPC.

O crédito é essencial para a atividade econômica. Mas, se as pessoas físicas usarem mais modalidades onerosas, como o cheque especial e o cartão de crédito rotativo, o risco de inadimplência também crescerá.

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