Aversão ao risco impulsiona dólar em dia volátil

O dólar teve uma segunda-feira devolatilidade e, em meio à maior aversão ao risco no exterior,subiu 1,11 por cento frente ao real. A moeda norte-americana fechou a 1,825 real, na maiorcotação desde 4 de outubro. Em novembro, a alta acumulada pelodólar é de 5 por cento. O câmbio foi pressionado por dois fatores, segundoanalistas: a busca de estrangeiros por ativos considerados demenor risco, como já havia ocorrido nos últimos dias, e aincerteza dos investidores quanto a uma maior atuação dogoverno no mercado. Após cair 1,16 por cento nos primeiros minutos de negócios,o dólar inverteu o rumo e, ainda pela manhã, subia mais de 1por cento. "Os agentes acabam ficando indecisos. O que é mais fácil?Ir junto, acompanhar o movimento", disse Carlos AlbertoPostigo, operador da Action Corretora, explicando a amplitudedas variações. Por trás da incerteza com a atuação do governo estãodúvidas sobre o fundo soberano do Brasil, cuja possível criaçãotem sido comentada por autoridades da área econômica. Na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,disse que pretende adquirir no mercado ao menos 10 bilhões dedólares para a formação do fundo. O governo já intervém no mercado de câmbio por meio doBanco Central, que tem comprado dólares diariamente parareforçar as reservas internacionais. "Eles (governo) estão criando uma tensão no mercado", disseJúlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora DidierLevy. Fundos soberanos foram criados por países como a Rússia,que têm recursos considerados excedentes para investir nomercado financeiro e diversificar suas aplicações. Mas Roberto Padovani, economista-chefe do Banco WestLB doBrasil, não vê motivos para atribuir a alta do dólar somenteaos rumores sobre o fundo. "Está difícil de entender esse movimento do real. Anovidade é essa mesma, do fundo soberano, mas não acho (queseja) forte a ponto de mexer o mercado com essa rapidez", disseo economista, que não viu outro fator além da saída deestrangeiros para explicar a queda do real. Desde o dia 14, quando o dólar caiu para o menor níveldesde 2000, as compras líquidas de dólar futuro pelosestrangeiros superaram 3,5 bilhões de dólares, segundo dados daBolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Além da recente turbulência externa, que diminuiu o apetitepor risco, o final de ano tradicionalmente provoca um aumentodas remessas de lucro para o exterior. Para Vogeler, esse movimento pode ser compensado pelaoferta pública inicial de ações (IPO) da BM&F. O IPO da Bolsade Valores de São Paulo (Bovespa) foi considerado um dosprincipais fatores para a queda do dólar em outubro. O mau humor do mercado também repercutiu o resultado dabalança comercial, que teve superávit de apenas 139 milhões dedólares na quarta semana de novembro. As operações comerciaistêm sustentado o fluxo de câmbio nos últimos meses com aturbulência nos mercados globais. (Edição de Daniela Machado)

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