Aversão ao risco no exterior coloca dólar acima de R$ 1,80

Após fechar estável em três sessões seguidas, moeda norte-americana sobe 0,84%, cotada a R$ 1,809

Silvio Cascione, da Reuters,

04 de dezembro de 2007 | 16h16

A preocupação no exterior com o setor financeiro deixou os investidores mais cautelosos e colocou o dólar novamente acima de R$ 1,80 nesta terça-feira, 4. A moeda norte-americana terminou a R$ 1,809, com alta de 0,84%. O dólar havia fechado estável nas últimas três sessões.  A situação dos bancos em meio à crise global de crédito voltou a incomodar os investidores em uma sessão sem indicadores econômicos de peso.  O gatilho para a nova rodada de aversão ao risco foi o aperto nos mercados de crédito, com alta das taxas de juros interbancárias. Além disso, pesou sobre os negócios a piora na avaliação de grandes bancos de investimento por instituições como o J.P. Morgan.  "O mercado já está prevendo uma redução de crédito mais acentuada para este finalzinho de ano. Os principais mercados europeus já deram uma puxada em relação às taxas de juros, tanto em euro como em libra", disse Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros.  O reflexo dessa cautela, no mercado brasileiro, foi o desmonte de posições de estrangeiros e a conseqüente alta do dólar. Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, citou os "carry trades" como exemplo de posições desmontadas.  Nesse tipo de operação, o investidor se financia em moedas de países com ativos de menor rendimento, como o Japão, e aplica em mercados mais rentáveis, como o brasileiro.  Na máxima do dia, o dólar chegou a subir 2%, a R$ 1,83. Mais tarde, porém, a tensão arrefeceu.  O efeito da instabilidade externa foi potencializado pelas características do mercado de câmbio no final do ano - que tradicionalmente sofre com uma oferta mais limitada de dólares por conta de remessas de lucros e dividendos.  Além disso, o superávit comercial devido ao aumento das importações. "O comportamento do mercado de câmbio nos últimos dias vem demonstrando que o superávit conseqüente do fluxo não está sendo tão positivo", disse Nehme.  O movimento, porém, não reverte a tendência de valorização do real. Em relatório, a Merrill Lynch, maior corretora do mundo, previu que o dólar deve chegar a R$ 1,60 até março, antes de começar a subir ligeiramente no restante de 2008.

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