Aversão ao risco varre mercados e pode durar alguns dias

Na esteira das fortes perdas de terça-feira, 13, em Nova York, as bolsas asiáticas também acumularam pesadas quedas nesta quarta-feira, 14. A de Tóquio, por exemplo, despencou 2,92%. O mesmo ocorreu na abertura dos principais mercados acionários europeus. Às 7h15, Londres cedia 1,63%; Paris, 1,93% e Frankfurt, 1,66%.A aversão ao risco voltou a dar um salto. Operações de carregamento - os carry trades - financiadas principalmente pelo iene japonês, voltaram a ser desmontadas colocando sobre pressão os ativos de países emergentes, que já sinalizam perdas nesta quarta-feira.A saúde da economia dos EUA continua sendo o centro do nervosismo. Crescentes problemas no setor de crédito imobiliário de maior risco - o setor subprime - e dados muitos fracos nas vendas do varejo americano, divulgados na terça-feira, revigoraram o temor de uma recessão na maior economia do mundo, que já havia causado danos substanciais nos mercados no final de fevereiro.O temor do estouro da "bolha imobiliária" nos EUA também está contaminando o Reino Unido, onde as ações de bancos com amplas carteiras de empréstimos para a compra de casas estão sendo penalizadas nesta quarta-feira, na Bolsa de Londres.PrevisõesEssa nova onda de turbulência confirmou a previsão de parte dos analistas, que haviam alertado durante o ensaio de recuperação da semana passada, que os mercados estariam suscetíveis a "novos ajustes" no curto prazo.A aposta majoritária continua sendo no fato de que a economia americana, embora em desaceleração, não entrará em recessão, ou seja, na tese do "pouso suave". Mas até que esse prognóstico seja realmente confirmado por indicadores mais consistentes, a tensão nos mercados deve continuar, com a ocorrência de ondas de volatilidade como as desta quarta-feira.Na ausência de divulgação de indicadores relevantes nesta quarta-feira nos EUA, estrategistas de bancos e fundos de investimentos alertam que a tensão nos mercados deve persistir até, pelo menos, a sexta-feira, quando será divulgada a inflação ao consumidor (CPI).Na quinta-feira, outro indicador capaz de mexer com os mercados, o da inflação ao produtor (PPI) também será monitorado de perto. Isso sem contar que os investidores estarão analisando qualquer número relacionado ao mercado imobiliário americano."O mercado está novamente à beira de um ataque de nervos", disse a analista de um fundo de investimentos britânico. "Os calmantes necessários são indicadores positivos nos EUA, cuja produção nos últimos tempos têm sido limitada."

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